Página senhoralvarinho.blogspot.com. de João Paulo Meneses, soma 500 Alvarinhos provados
Ao longo de quase duas décadas, João Paulo Meneses provou e registou 500 alvarinhos diferentes. Neste texto pessoal e direto, partilha aprendizagens, preconceitos desmontados e reflexões sobre tempo, preço, paciência e grandeza de uma casta que considera não só a melhor branca de Portugal, mas uma das mais promissoras do mundo.
O que aprendi ao beber 500 Alvarinhos? A resposta mais simples é: tudo.

Comecei quase na brincadeira (2007), para ter uma forma de registar o que ia bebendo e não estar a repetir, mas rapidamente se tornou uma brincadeira… séria.
Muito do que aprendi apenas aconteceu porque pouco ou nada sabia da casta, mas que já era quase do senso comum entre os enófilos: que é muito plástica, que se adapta maravilhosamente à madeira ou às borras, que gera excelentes espumantes.

Mas, oito anos e 500 vinhos (diferentes) depois, há algumas coisas que penso poderem interessar aos leitores.
Começo com uma história: o proprietário de uma garrafeira tinha um espumante velha reserva de alvarinho numa prateleira, sem preço. Disse-me que não o vendia porque já não devia estar bom. Por pena, ofereceu-mo — e estava fantástico. Combater o estereótipo de que o vinho verde é para beber nos dois anos seguintes foi a primeira coisa que aprendi a fazer. Já bebi colheitas que nunca pensaram durar 10 ou mais anos em garrafa e que se revelaram incríveis.
Mas também aprendi que quanto mais velho é o vinho, mais tempo precisa de (se) abrir. Como nos restaurantes isso não é possível, e a decantação na hora, em certos casos, não é suficiente, pelo menos que o façamos em casa. Abrir a garrafa seis ou sete horas antes, e mantê-la no frio, vai fazer maravilhas.
Relacionado com isto: aprendi, com o tempo, a não beber os vinhos nos anos em que são produzidos ou lançados. Bebi, até agora, apenas seis vinhos de 2024, e em alguns casos porque fui “obrigado” a isso. De 2023, apenas 25. Ou seja, se sei que os vinhos vão ser melhores daqui a três ou quatro anos, que necessidade tenho de os beber já? Às vezes, quando se trata de novidades sobre as quais tenho realmente muita expetativa, faço mesmo um esforço para aguentar o mais possível. Às vezes consigo, outras não. Nesses casos, quando posso, compro duas garrafas: uma para abrir já e outra em 2030…


Quando há pouco dizia que fui “obrigado” a beber alguns vinhos do ano era um pouco nesse sentido. Como resistir a provar o primeiro vinho de António Luís Cerdeira no novo projeto ou o Quinta da Torre, de Anselmo Mendes, para citar dois exemplos entre muitos possíveis? Noutros casos, é o produtor que, quando oferece o vinho, quer receber como contrapartida o feedback (este é um projeto completamente independente, em que apenas cerca de 15/20% dos vinhos são oferecidos pelos produtores).
Outra coisa que aprendi (e que, já percebi, acontece também com os alvarinhos das Rías Baixas): na maior parte dos casos, a relação preço-qualidade é incrível. Bebem-se vinhos muito bons, em alguns casos mesmo fora da sub-região Monção e Melgaço, a preços que espantam qualquer estrangeiro.
Desde logo, temos o fenómeno das marcas brancas das grandes superfícies, que permitem beber vinhos que, em muitos casos, são mesmo bons, a menos de cinco euros. Esses vinhos são todos produzidos em Monção e Melgaço, o que dá garantias de boas uvas, boa vinificação e bons enólogos. Alguns custam pouco mais de três euros…
Mas, se o leitor quiser beber um vinho um pouco mais elaborado, o patamar dos 10 euros está repleto de excelentes exemplos. Finalmente, por menos de 20 euros, bebem-se Alvarinhos de topo.
O Alvarinho é a melhor casta branca de Portugal e ando há oito anos a tentar demonstrá-lo.
O meu próximo desafio é provar que também é uma das melhores do mundo.
Venham mais 500 vinhos?
João Paulo Meneses, editor da página https://senhoralvarinho.blogspot.com/
https://www.instagram.com/senhor.alvarinho/














