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Ermelinda Freitas: as novas pérolas e os clássicos de sempre

Foi um grande 2025 para a Casa Ermelinda Freitas, que termina o ano com uma nova colheita do seu vinho de topo, uma nova gama de excelência e uma mão cheia de novidades para apreciar em 2026 – mais um ponto alto de um produtor que já é emblema da Península de Setúbal.

Desde a sua primeira colheita, em 1999, o Leo d’Honor – referência icónica da Casa Ermelinda Freitas, que presta homenagem ao símbolo da sua terra, a figura de um leão a saltar – só tinha tido seis outras edições, cerca de um quinto dos 26 anos que desde aí decorreram. O vinho de prestígio de Setúbal só é produzido em anos de qualidade excecional, e até recentemente parecia que Fernando Pó, de onde é originário, não reunia as condições climatéricas certas desde 2015, ano da última colheita. Eis que, antes do fim do ano, é revelada a existência de mais um Leo d’Honor: a oitava edição, de 2021.

Uma das marcas de prestígio da casa, o Leo d’Honor é um tributo à casta Castelão, que se apresenta neste vinho com toda a nobreza: a proveniência de vinhas velhas de mais de 60 anos e os 18 meses que estagia em barrica nova de carvalho francês, com outros 12 de estabilização em garrafa, dão-lhe aromas profundos e concentrados, com notas de frutos pretos maduros, compota e especiarias, além de nuances de chocolate e tabaco que fazem dele o vinho perfeito para acompanhar pratos de carne estufada, caça, assados de forno, queijos fortes ou foie gras. 

O nome do Leo d’Honor também ecoa, no entanto, o de Leonor Freitas, atual proprietária e a quarta mulher à frente dos destinos da casa, depois da mãe, Ermelinda, da avó, Germana, e da trisavó, Leonilde. Não será exagero chamar a esta empresa um matriarcado – a comprovar pelo seu nome e o da sua marca mais icónica e ubíqua, a Dona Ermelinda –, mas é justamente a bem da valorização do outro lado, o masculino, que se criou a outra grande referência da Casa Ermelinda Freitas, o Destemido. 

O novo vinho foi descrito por Leonor Freitas como um tributo aos homens da sua família que “morreram muito cedo”, disse no evento de lançamento do Destemido, no MUDE – Museu do Design, em Lisboa. Em particular, é uma homenagem ao pai de Leonor, Manuel João de Freitas, cuja morte repentina precipitou a sua saída de um emprego no Ministério da Saúde para assumir os negócios da família. “Estou extremamente contente por poder homenagear este homem que teve de trabalhar tanto, que deixou marcas e permitiu que a Casa Ermelinda Freitas esteja onde chegou”, acrescentou.

Assume-se como uma verdadeira peça de colecionador o conjunto que compõe o primeiro Destemido, num cruzamento entre os mundos do vinho e da arte. A artista Olga Noronha, autora do estojo e do rótulo do vinho, inspirou-se na figura do pai de Leonor: “Sempre que me eram contadas as histórias a pasteleira estava presente”, a mesma bicicleta com que Manuel João percorreu o país a pedal. A bicicleta é, portanto, um dos elementos centrais do desenho do estojo, complementada na garrafa pelos contornos da região inscritos em metal a três dimensões – um rótulo que foge da garrafa e, na prática, “uma escultura de pequena dimensão”, referiu a artista, rematando: “Não acreditamos que alguém coloque no lixo esta garrafa”.

Disponível unicamente em formato magnum e com apenas 2025 unidades produzidas, o Destemido é um tinto de 2021 de Castelão, Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon em que, “de uma produção enorme”, foram escolhidas apenas as melhores uvas “quase bago a bago”, explica o seu autor, o enólogo Jaime Quendera, que destacou o perfil sensorial e o elevado potencial de envelhecimento de um vinho feito “para beber com comida”, em particular carnes vermelhas, caça e queijos intensos. 

O enólogo vincou que ainda “está muito jovem, com taninos frescos e pujantes, fruta preta e textura marcante”, destacando a “cremosidade, volume e doçura” do tinto. “Vai durar no mínimo 20 anos, mais ainda por ser uma garrafa magnum”, garantiu Jaime, ao que Leonor Freitas acrescentou esperar “daqui a 20 anos estar a provar o vinho e a celebrar” o seu aniversário.

As novidades de sempre da marca Dona Ermelinda

Ainda estamos a uma boa distância dessa data de guarda recomendada, mas, até lá, a Casa Ermelinda Freitas apresenta novas colheitas da Dona Ermelinda, a sua “marca âncora”, pautada por “vinhos gastronómicos, com um estilo mais clássico”, a presença da madeira até nas gamas de entrada e o uso das castas típicas da Península de Setúbal, “conjugadas com castas internacionais quando se entende que elas melhoram os lotes, tornando-os distintos”. 

Nos brancos, predomina a vertente frutada, com o Dona Ermelinda branco Reserva, feito de Chardonnay, Arinto e Viognier, a exalar frutos doces e citrinos, destacando-se pela cremosidade e presença de boca; já o colheita acrescenta à receita de castas o Antão Vaz e o Fernão Pires, que lhe dão mais tons de fruta tropical e mel. Ambos são indicados para acompanhar pratos de peixe, saladas, massas e carnes brancas. 

É nos tintos, no entanto, que encontramos a maior diversidade dentro da marca. Tanto o Colheita quanto o Reserva são feitos de Castelão, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, com o Reserva a adicionar a Trincadeira e mais notas de idade e estágio – especiarias, fumo, compota de fruta preta – ao perfil já bastante encorpado do Colheita, que se pauta mais pela fruta vermelha madura e taninos redondos. Enquanto este é indicado para pratos de carne, bacalhau e queijos, aquele já convive com pratos de caça e queijos mais fortes.

O Dona Ermelinda Grande Reserva é o único tinto sem Castelão, sendo composto de uma mescla complexa de Touriga Nacional, Touriga Franca, Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah e elevando a intensidade, privilegiando a densidade, a estrutura e os taninos bastante vincados. O Garrafeira, no topo da cadeia, prima mais pela elegância, com madeira bem conjugada, taninos polidos e notas de passas, frutos pretos e especiarias. Ambos combinam bem com pratos mais intensos de carne e caça e queijos fortes.

Como seria de esperar da sua região, a Dona Ermelinda compreende ainda dois Moscatéis, ideais tanto como aperitivo quanto para acompanhar pastelaria e doçaria à sobremesa: o Moscatel de Setúbal, a lembrar o mel e a casca de laranja e repleto de doçura, acidez e frescura, e o Moscatel Roxo de Setúbal, a puxar para os frutos secos, especiarias e tons florais e um final especialmente prolongado. Por fim, e para terminar o ano em grande, o Dona Ermelinda Espumante Bruto branco, de Fernão Pires e Arinto, é um branco de bolhas, jovem e frutado, com notas tropicais e citrinas, frescura e boa estrutura – o que lhe permite acompanhar carnes gordas ou simplesmente brindar a um novo ano repleto de bons vinhos.

Fotografias: D. R. / Ernesto Fonseca

A revista Paixão Pelo Vinho provou e classificou, em 2019, mais de mil vinhos em prova cega. Os vinhos e espumantes que se destacaram pelas sedutoras características sensoriais, foram oficialmente premiados, recebendo as distinções “Paixão Pelo Vinho Prestígio”, Paixão Pelo Vinho Excelência” e “Paixão Pelo Vinho Escolha”. O evento realizou-se no passado dia 7 de março e foi partilhado pelos leitores e apreciadores de vinhos, que puderam participar, aplaudir, provar, aprender e brindar! 

O ponto alto de todas as publicações especializadas é sempre o dia em que se festeja o setor, que recebe todas as atenções durante o ano, e se entregam os prémios aos melhores. Assim aconteceu, também, com a revista Paixão Pelo Vinho que, no passado dia 7 de março, juntou produtores e enólogos, para entregar os prémios aos melhores vinhos e espumantes, provados no decorrer de 2019, e celebrar numa festa vínica, que juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa. 

O evento contou com a presença de uma seleção de premiados, que estiveram a dar a conhecer os seus vinhos, incluindo alguns convidados como Raríssimo By Osvaldo Amado, Quinta do Gradil e Enoport Wines, que aproveitaram a altura para fazer uma apresentação dos seus novos vinhos. Outro ponto alto do evento foi o ciclo de “Conversas com os Enólogos”, num espaço que esteve sempre esgotado e proporcionou a prova comentada de vinhos especiais, apresentados pelos seus enólogos.Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 

A festa vínica juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.
PAIXÃO PELO VINHO PRESTÍGIO

O prémio Paixão Pelo Vinho “Prestígio”, coube a oito produtores. Entre eles, três vinhos tintos, todos DOC Douro: Costa Boal Homenagem Douro tinto Grande Reserva 2011, da Costa Boal Family Estates; Quinta da Manoella Vinhas Velhas tinto 2016, da Wine & Soul; e Quinta da Oliveirinha Vinha Franca tinto (Touriga Franca) 2013, produzido pela família Alves de Sousa. 

Apenas um vinho branco ganhou “Prestígio”, foi o Terrantez do Pico, com Indicação Geográfica Açores, da colheita de 2018, produzido pela Azores Wine Company. 

Os Vinhos do Porto Vintage 2017 também estiveram em destaque, arrecadando quatro destes prémios mais altos: Portal, da Quinta do Portal; Croft Quinta da Roeda Serikos e Taylor’s Vargellas Vinha Velha, ambos produzidos por Quinta & Vineyard Bottlers – Vinhos; e Quinta das Lamelas, de José António da Fonseca Augusto Guedes.

PAIXÃO PELO VINHO EXCELÊNCIA

A “Excelência”, prémio equivalente às habituais medalhas de ouro, foi entregue a 44 produtores. O Douro destacou-se e veio de lá o único Moscatel premiado – Adega de Favaios Moscatel 1989. A casta Touriga Nacional esteve presente em muitos dos vinhos premiados, como o Quinta da Gricha Talhão 8 tinto 2016, da Churchill Graham. A Quinta do Noval conquistou dois prémios, com os Quinta do Noval tinto Reserva 2016 e Porto Vintage 2017. Também a Quinta da Barca foi distinguida com “Excelência” para os Busto branco Grande Escolha 2017 e tinto Grande Escolha 2016. O Secretum Arinto 2018 e, do mesmo produtor, o Lua Cheia em Vinhas Velhas tinto de Vinhas Velhas Reserva Especial 2016 também foram distinguidos com ouro. Márcio Lopes Winemaker recebeu dois prémios, um para o vinho Proibido DOC Douro tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2017 e para o Pequenos Rebentos Edição Especial Vinhas Velhas branco (Loureiro) Reserva 2018, DOC Vinho Verde. A casta Alvarinho foi premiada em duas interpretações: Dom Ponciano espumante Bruto Natural 2013 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2018. 

A Bairrada destacou-se, com dois prémios para a Adega de Cantanhede: Marquês de Marialva Edição Especial 65 Anos, tinto Garrafeira 2001, da casta Baga; e Marquês de Marialva tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2013. A região Tejo ficou bem representada, entre outros, pelos vinhos Desalmado tinto 2013 e pelo Bridão Private Collection tinto 2016, ambos da Adega do Cartaxo. 

O Scala Coeli tinto 2015, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida; o Monte da Capela 18 Anos tinto Grande Reserva 2016, da Casa Clara; e Mamoré de Borba tinto Grande Reserva 2015, da Sovibor, são bons exemplos de vinhos imperdíveis nascidos no Alentejo. 

A ilha do Pico também brilhou com o Vinha Centenária branco 2017, as Azores Wine Company. Estes são apenas alguns exemplos, entre os melhores vinhos, premiados com Excelência.

PAIXÃO PELO VINHO ESCOLHA

Os prémios “Escolha” valorizam as melhores relações qualidade-preço, foram distinguidos 16 vinhos, como Castelo D’Arez Colheita Selecionada tinto 2016 e branco 2017, da Sociedade Agrícola da Arcebispa, e os Camolas Selection branco Reserva 2018 e tinto Reserva 2017, produzidos pela Adega Camolas, todos da Península de Setúbal, região que se destacou. A lista completa com todos os premiados, pode ser consultada na próxima edição da revista Paixão Pelo Vinho, nas bancas no final de março. Pode consultar todos os premiados na página seguinte.

Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 
QUALIDADE E VALOR

Para Maria Helena Duarte, fundadora e diretora da revista Paixão Pelo Vinho, “é fundamental reconhecer a qualidade, já que os prémios para além de valorizarem os vinhos e exponenciarem a sua procura nos mercados, interno e externo, dinamizando a economia, também ajudam os apreciadores a escolher os vinhos certos para cada ocasião”. Já João Pereira Santos, diretor adjunto da publicação, destaca que “a qualidade dos vinhos portugueses está cada vez melhor, posicionando-os entre os melhores do mundo!”.

Com tantos e tão bons vinhos, não vão faltar razões para juntar família e amigos em jantares especiais, convívios, boas conversas e grandes brindes! Pode sempre ir acompanhando a seleção de vinhos através do nosso novo website: www.revistapaixaopelovinho.com.



> texto PPV > fotografia Ernesto Fonseca e Sérgio Sacoto
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