Quinta D’Ervedosa: Um projeto no Douro com assinatura familiar
Numa das zonas mais nobres do Douro, uma quinta com raízes no século XVIII regressa à ribalta com uma ambição clara: produzir vinhos de identidade, profundidade e elegância, num projeto de família que nasce da experiência no mobiliário para hotelaria de luxo e encontra na Quinta D’Ervedosa a sua expressão vitivinícola.
Numa região marcada pela tradição e ancestralidade, trata-se de um recém-chegado: um novo projeto vinícola que nasce de um sólido percurso no mobiliário para hotelaria de luxo, resultado da ambição da família Rocha – liderada por José Rocha, fundador da EPOCA – Projects & Hospitality – de criar um legado no Douro que una a tradição vitivinícola, a produção de azeite e uma visão contemporânea para a região.
Situada em Ervedosa do Douro, em São João da Pesqueira, a propriedade remonta a 1756 e integra o grupo das primeiras quintas demarcadas pelo Marquês de Pombal. Anteriormente designada Quinta de Chanceleiros, destacou-se na região pela excelência dos seus vinhos, que chegaram “a conquistar a nobreza europeia”, como refere José Rocha. As suas vinhas são, acrescenta, um “livro vivo que conta histórias e reflete a arte ancestral da viticultura nesta região.”

Com a recente aquisição de terrenos contíguos e o consequente alargamento da propriedade, passou a designar-se Quinta D’Ervedosa, um nome que reflete não só a sua nova dimensão, mas também a localização, em Ervedosa do Douro.
Para esse legado, é determinante um terroir que descreve como excecional, imprimindo “profundidade, complexidade e um caráter diferenciador” aos seus vinhos. Situada no chamado Triângulo de Ouro do Douro, no vale do rio Torto, na sub-região do Cima Corgo, a Quinta D’Ervedosa beneficia de vinhas velhas em socalcos tradicionais durienses de solos de xisto – uma combinação que, garante, assegura “vinhos estruturados, elegantes e de expressão autêntica do Douro”.

A identidade do terroir é preservada na adega, onde a enologia, chefiada por António Braga, “procura honrar a tradição, combinando práticas clássicas com atenção rigorosa à qualidade das uvas e à vinificação.” Depois da “seleção criteriosa” das uvas, as fermentações controladas e o estágio em madeira são instrumentos para “realçar o carácter das castas e a identidade do terroir”, assumindo como objetivo a criação de “vinhos de exceção”, refere.
A produção inclui referências vínicas tranquilas – branco, tinto e rosé – assentes nas castas tradicionais do Douro e todas com passagem por barrica. Entre elas destaca-se o Quinta D’Ervedosa tinto, já com duas colheitas no mercado, elaborado a partir de Touriga Franca, Touriga Nacional e Sousão; o Nativo branco, um lote em partes iguais de Arinto, Rabigato, Viosinho e Gouveio, com estágio parcial em madeira nova; e o Quinta D’Ervedosa rosé, feito de Touriga Nacional e Tinto Cão, com estágio parcial em carvalho francês usado. Os vinhos estão disponíveis na loja online da marca, bem como em restaurantes e garrafeiras selecionadas.



A estes, acrescenta-se a sua categoria especial de edição limitada – o Private Cellar Grande Reserva 2022, com 18 meses de barrica e do qual foram feitas apenas 3600 garrafas –, bem como o seu azeite extra-virgem de oliveiras centenárias, com menos de 0,2% de acidez, é “já utilizado e reconhecido por vários chefs de renome, que valorizam a sua pureza, equilíbrio e versatilidade gastronómica”, assegura.

Focados no segmento “premium”, assumem como público-alvo os “verdadeiros apreciadores do terroir do Douro, colecionadores e consumidores que procuram produtos exclusivos, experiências vínicas de excelência e ligação direta à história e identidade da região” – uma posição reforçada pelas distinções já angariadas: Medalha de Ouro para o seu tinto 2023 no concurso “Vindouro – Douro em Prova” e, para o rosé, “Escolha da Imprensa” 2025, concurso da revista Grandes Escolhas.
Para a Quinta D’Ervedosa, no entanto, é apenas o início. Através da ligação com o Grupo EPOCA, José Rocha, vê “potencial para introduzir novos conceitos de hotelaria e lifestyle na região, criando experiências exclusivas e diferenciadoras no Douro ao combinar vinhos e azeites premium com hospitalidade de luxo”. Já está, portanto, no horizonte da Quinta D’ Ervedosa “um projeto de enoturismo que permitirá aos visitantes conhecer de perto a história da propriedade e vivenciar a essência do Douro”, com planos mais imediatos a apontar a “visitas guiadas às vinhas e adegas, provas de vinho e azeite, e eventos vínicos exclusivos”.


O objetivo, a médio prazo, será “transformar a Quinta num destino de enoturismo premium, proporcionando experiências únicas que combinam gastronomia, cultura e tradição duriense”, integrado com “o lifestyle e a hospitalidade de luxo, em sinergia com o Grupo EPOCA” – e, em última análise, “fazer a diferença na região, combinando tradição e inovação, e consolidar a Quinta como referência de excelência e inspiração no Douro”. Até lá, sublinham, “o foco principal continua a ser a produção de vinhos de excelência, mantendo a qualidade, o carácter e a autenticidade que distinguem a Quinta D’Ervedosa”.
Texto Zita Salvador | Fotografias: D. R.| in revista Paixão Pelo Vinho ed. 100













