Moscatel de Favaios volta ao mar para testar o efeito do envelhecimento em viagem no Navio Escola Sagres
Duas pipas de Moscatel de Favaios Colheita 2010 embarcam a 30 de abril no Navio Escola Sagres, numa nova experiência de estágio em alto mar que cruza vinho, memória marítima e promoção de Portugal além-fronteiras. A missão, integrada nas comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, permitirá acompanhar de novo a evolução de um vinho sujeito ao ritmo do oceano.
O Moscatel de Favaios prepara-se para voltar a navegar. A Adega de Favaios volta a associar-se ao Navio Escola Sagres, levando a bordo duas pipas de Moscatel de Favaios Colheita 2010, numa experiência que pretende observar o impacto do envelhecimento em ambiente marítimo e, ao mesmo tempo, projetar um dos grandes vinhos portugueses em contexto internacional.

Cada uma das pipas, com capacidade para 250 litros, foi previamente selada pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e seguirá viagem na ponte do navio, exposta às condições do oceano e ao movimento constante da navegação. O objetivo é perceber de que forma o contacto prolongado com o mar, as variações ambientais e o balanço das marés podem influenciar a evolução do vinho.
A partida do Navio da República Portuguesa (NRP Sagres) está marcada para 30 de abril, em Lisboa, numa missão que integra as comemorações do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos. O roteiro inclui escalas em Hamilton, Norfolk, Baltimore, Nova Iorque, Boston e New Bedford, bem como passagens pelos Açores, com paragens na Praia da Vitória e em Ponta Delgada. Depois da travessia transatlântica, as pipas seguirão ainda viagem até ao Funchal, regressando a Lisboa a 21 de setembro.

A bordo viajarão também vinhos brancos e tintos Casa Velha, espumantes e os Favaítos, que acompanharão momentos celebrativos da missão. Já as pipas de Moscatel regressarão depois à Adega de Favaios, onde o vinho continuará o seu percurso de envelhecimento.
Esta não é, de resto, a primeira vez que o Moscatel de Favaios embarca no “navio embaixador de Portugal”. Em 2018, a adega levou numa missão semelhante o Moscatel Colheita 1999, numa viagem que passou por 10 portos, percorreu milhares de milhas náuticas e colocou o vinho em contacto com dezenas de milhares de visitantes ao longo de seis meses. A experiência deixou marca e abriu caminho a esta nova edição.

Filipe Carvalho, enólogo da Adega de Favaios, admite a expectativa em torno do regresso destas barricas, recordando os resultados obtidos com a experiência anterior. “O estágio em alto mar do Moscatel Colheita 1999 teve um efeito surpreendente na sua evolução, conferindo-lhe maior complexidade aromática e um perfil mais evoluído”, refere, sublinhando que esta nova viagem permitirá continuar a explorar o impacto do envelhecimento em ambiente marítimo, associando a tradição vínica de Favaios à dimensão simbólica e histórica do Sagres.
A iniciativa reforça também o papel do Moscatel de Favaios como um dos grandes embaixadores do Douro e de Portugal. A Adega de Favaios é hoje o principal produtor deste tipo de vinho fortificado na Região Demarcada do Douro e lidera igualmente o mercado nacional, produzindo anualmente cerca de dois milhões de garrafas de Moscatel Clássico de Favaios. A par desta referência, a adega desenvolve igualmente vinhos DOC Douro, brancos, tintos, rosés e espumantes, estando a preparar novos investimentos para reforçar a capacidade de armazenamento, envelhecimento e microvinificações de ensaio e de nicho.
Maria Helena Duarte
Faz do vinho uma missão. É provadora e crítica de vinhos, a nível nacional e internacional, e membro da FIJEV. No Diário de Notícias lançou a revista Beberes e em 2006 fundou a revista Paixão Pelo Vinho, um desafio que perdura desde então fruto de muita determinação, trabalho de equipa e, claro, muita paixão. Quando não está a provar vinhos, está a escrever, a organizar eventos e dar vida a novos projetos. É Confrade de Honra da Confraria Enófila N.ª S.ª do Tejo, da Confraria Gastronómica das Tripas à Moda do Porto e da Confraria da Cerveja, reafirmando com orgulho as suas três paixões: vinho, gastronomia e cerveja.













