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Casa da Réssa lança seis novos vinhos que refletem um Douro autêntico e diferenciado

As novidades do produtor são maioritariamente vinhos de parcela que mostram a diversidade presente na “manta de retalhos” que constitui os seus 15 hectares de vinhas. O Casa da Réssa Vinha das Lages tinto 2022, Vale de Naçarães tinto 2022, Vale de Naçarães branco 2023, Grande Reserva branco 2022, Reserva branco 2023 e Porto Vintage 2023 revelam um Douro autêntico, fresco e elegante.

Texto de Mafalda Freire | Fotografias D. R.

A Casa da Réssa assenta numa filosofia de preservação e valorização de um Douro autêntico. Situado na Folgosa do Douro, este projeto baseia-se num mosaico de pequenas parcelas e terroirs que se refletem nos vinhos. Alexandre Dias, vigneron e proprietário da Casa da Réssa, realçou durante um jantar de apresentação dos vinhos na Nunes Real Marisqueira, que foram precisas “mais de 50 escrituras” para o projeto chegar ao que é hoje. Paulo Nunes, o enólogo do projeto, explicou a diversidade existente: “Temos parcelas que estão a 120 m e que vão até aos 700 m de altitude. A nível de solos, temos xisto, granito, argila e uma heterogeneidade incrível a que costumo chamar uma manta de retalhos”.

A abordagem enológica procura trabalhar privilegiando “fermentações espontâneas” e a “paciência” para garantir que a identidade de cada parcela prevaleça, como salientou o enólogo. Por outro lado, Paulo Nunes realçou a importância “da consistência” que têm conseguido, referindo que “não vale a pena fazer um grande vinho se só se fizer uma única vez na vida” e revelou que objetivo é fazer vinhos marcados pela “autenticidade”.

Brancos com frescura

O primeiro vinho apresentado foi uma reedição. O Casa da Réssa Reserva branco 2023, nascido da soma de “seis a sete parcelas localizadas entre os 400 e os 500 metros de altitude”, onde o granito marca presença. Paulo Nunes destacou que o “equilíbrio analítico com 12,5% de álcool, com 3,22 de pH e uma acidez total natural de 6,7g/l”. Este field blend de Vinhas Velhas é fermentado em cubas de inox e barricas de 500l com estágio de 9 meses sobre borras com bâtonnage periódica em barricas usadas e 25% em inox.

Este é um vinho marcado pela frescura e riqueza aromática, distanciando-se do “volume pesado muitas vezes associado à região”. Em prova, tem uma cor amarela-esverdeada, no nariz notas de fruta branca e cítricas e na boca é complexo, com mineralidade e uma acidez muito equilibrada. Com uma produção de 3 mil garrafas, o Reserva branco 2023 tem um PVP de 47€.

O segundo vinho representou uma estreia absoluta: o Casa da Réssa Grande Reserva branco 2022. A decisão de reter este vinho na adega durante “mais um ano” serviu para aumentar a complexidade como referiu Paulo Nunes. Este provém de duas parcelas acima dos 500 metros de altitude, num solo onde o “granito domina” e se mistura com “argilas secundárias de degradação”. Segundo o enólogo, este vinho nasce de “fermentações espontâneas” muito lentas, onde a “fermentação malolática chega a acontecer juntamente com a alcoólica” e que “não vive da fruta primária, vive da complexidade”. O Grande Reserva branco 2022 é também um field blend de Vinhas Velhas com estágio de 20 meses e, em prova, tem um nariz complexo com notas de fruta de caroço madura, florais e madeira; já na boca tem um final longo e persistente. Com uma produção de 2800 garrafas, este vinho tem um preço de venda de 87€.

Vinhos de parcela

O Casa da Réssa Vinha das Lages tinto 2022 é um vinho de enorme significado já que é proveniente da “primeira parcela que o Alexandre comprou”, disse o enólogo. Esta é uma vinha com 40 anos, situada entre os 400 e os 450 metros de altitude, com várias castas, mas onde há um “domínio da Tinta Barroca, Tinta Carvalha e Tinta Amarela”. Paulo Nunes descreveu a singularidade deste vinho afirmando que “se o Douro tiver um cheiro, para mim o cheiro é este”, ou seja, fruta vermelha e preta e algumas especiarias. Na boca, este tinto de cor rubi e cuja vindima é feita de forma manual em caixas de 20 kg, é elegante, com taninos presentes, mas controlados e uma frescura muito equilibrada. O Vinha das Lages tinto 2022 tem um PVP de 98€ e uma produção de 3100 garrafas.

Paulo Nunes descreveu a singularidade deste vinho afirmando que “se o Douro tiver um cheiro, para mim o cheiro é este”, ou seja, fruta vermelha e preta e algumas especiarias.

Outro dos vinhos de parcela apresentados foi o Vale de Naçarães branco 2023, em que as vinhas estão “650 a 700 m de altitude, numa zona de solos ricos em argila” e com um microclima com “noites muito frias” em que as “vindimas acontecem no final de outubro”. Graças a este ciclo invulgarmente longo, o resultado é um vinho estruturado com 11,5% de álcool. Este vinho tem estágio de 10 meses em barrica usada de carvalho francês e tem um perfil elegante com “nota de vegetal fresco” e uma grande acidez e equilíbrio na boca.

Já o Vale de Naçarães tinto 2022 é outro field blend de Vinhas Velhas, tal como o branco, mas com 18 meses de estágio. A vinificação incluiu uma fermentação “com a borra total”, uvas “pisadas à mão” e uma “maceração longa” de “dois meses nas massas” para garantir uma extração suave dos taninos. De cor rubi e um aroma com fruta vermelha fresca e notas de bosque, este vinho revela na boca uma grande frescura, taninos delicados e uma elegância fora do vulgar. O Casa da Réssa Vale de Naçarães tinto 2022 tem uma produção de apenas 600 garrafas e um PVP de 170€.

Um Vintage distinto

O último vinho da prova foi o Porto Vintage 2023 que nasce nas “vinhas do menor cota” da Casa da Réssa a “120 m na Folgosa com exposição a Sul”. Paulo Nunes descreveu-o como um “Vintage mais civilizado”, em que usa “menos aguardante vínica” limitando a adição a “80 e poucos litros por pipa” procurando antes “mais maturação na vinha”, ou seja, uvas “mais ricas em açúcares”. Com 19% de álcool, este vinho está “no limite regulamentar para ser considerado Vintage”, como referiu o enólogo. Com uma produção de 1200 garrafas e um preço de venda de 98€, o Porto Vintage 2023 tem um perfil aromático em que sobressaem as notas de frutos do bosque e fruta preta, como cereja e groselha, com ligeiro toque de eucalipto. Na boca é estruturado, fresco, elegante e demonstra um elevado potencial para envelhecer.

As novidades apresentadas pela Casa da Réssa mostram todo o valor de um Douro de pequenas produções que valoriza a preservação do património vitícola, que dá atenção ao detalhe, respeita a identidade do terroir e da vinha.

A revista Paixão Pelo Vinho provou e classificou, em 2019, mais de mil vinhos em prova cega. Os vinhos e espumantes que se destacaram pelas sedutoras características sensoriais, foram oficialmente premiados, recebendo as distinções “Paixão Pelo Vinho Prestígio”, Paixão Pelo Vinho Excelência” e “Paixão Pelo Vinho Escolha”. O evento realizou-se no passado dia 7 de março e foi partilhado pelos leitores e apreciadores de vinhos, que puderam participar, aplaudir, provar, aprender e brindar! 

O ponto alto de todas as publicações especializadas é sempre o dia em que se festeja o setor, que recebe todas as atenções durante o ano, e se entregam os prémios aos melhores. Assim aconteceu, também, com a revista Paixão Pelo Vinho que, no passado dia 7 de março, juntou produtores e enólogos, para entregar os prémios aos melhores vinhos e espumantes, provados no decorrer de 2019, e celebrar numa festa vínica, que juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa. 

O evento contou com a presença de uma seleção de premiados, que estiveram a dar a conhecer os seus vinhos, incluindo alguns convidados como Raríssimo By Osvaldo Amado, Quinta do Gradil e Enoport Wines, que aproveitaram a altura para fazer uma apresentação dos seus novos vinhos. Outro ponto alto do evento foi o ciclo de “Conversas com os Enólogos”, num espaço que esteve sempre esgotado e proporcionou a prova comentada de vinhos especiais, apresentados pelos seus enólogos.Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 

A festa vínica juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.
PAIXÃO PELO VINHO PRESTÍGIO

O prémio Paixão Pelo Vinho “Prestígio”, coube a oito produtores. Entre eles, três vinhos tintos, todos DOC Douro: Costa Boal Homenagem Douro tinto Grande Reserva 2011, da Costa Boal Family Estates; Quinta da Manoella Vinhas Velhas tinto 2016, da Wine & Soul; e Quinta da Oliveirinha Vinha Franca tinto (Touriga Franca) 2013, produzido pela família Alves de Sousa. 

Apenas um vinho branco ganhou “Prestígio”, foi o Terrantez do Pico, com Indicação Geográfica Açores, da colheita de 2018, produzido pela Azores Wine Company. 

Os Vinhos do Porto Vintage 2017 também estiveram em destaque, arrecadando quatro destes prémios mais altos: Portal, da Quinta do Portal; Croft Quinta da Roeda Serikos e Taylor’s Vargellas Vinha Velha, ambos produzidos por Quinta & Vineyard Bottlers – Vinhos; e Quinta das Lamelas, de José António da Fonseca Augusto Guedes.

PAIXÃO PELO VINHO EXCELÊNCIA

A “Excelência”, prémio equivalente às habituais medalhas de ouro, foi entregue a 44 produtores. O Douro destacou-se e veio de lá o único Moscatel premiado – Adega de Favaios Moscatel 1989. A casta Touriga Nacional esteve presente em muitos dos vinhos premiados, como o Quinta da Gricha Talhão 8 tinto 2016, da Churchill Graham. A Quinta do Noval conquistou dois prémios, com os Quinta do Noval tinto Reserva 2016 e Porto Vintage 2017. Também a Quinta da Barca foi distinguida com “Excelência” para os Busto branco Grande Escolha 2017 e tinto Grande Escolha 2016. O Secretum Arinto 2018 e, do mesmo produtor, o Lua Cheia em Vinhas Velhas tinto de Vinhas Velhas Reserva Especial 2016 também foram distinguidos com ouro. Márcio Lopes Winemaker recebeu dois prémios, um para o vinho Proibido DOC Douro tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2017 e para o Pequenos Rebentos Edição Especial Vinhas Velhas branco (Loureiro) Reserva 2018, DOC Vinho Verde. A casta Alvarinho foi premiada em duas interpretações: Dom Ponciano espumante Bruto Natural 2013 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2018. 

A Bairrada destacou-se, com dois prémios para a Adega de Cantanhede: Marquês de Marialva Edição Especial 65 Anos, tinto Garrafeira 2001, da casta Baga; e Marquês de Marialva tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2013. A região Tejo ficou bem representada, entre outros, pelos vinhos Desalmado tinto 2013 e pelo Bridão Private Collection tinto 2016, ambos da Adega do Cartaxo. 

O Scala Coeli tinto 2015, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida; o Monte da Capela 18 Anos tinto Grande Reserva 2016, da Casa Clara; e Mamoré de Borba tinto Grande Reserva 2015, da Sovibor, são bons exemplos de vinhos imperdíveis nascidos no Alentejo. 

A ilha do Pico também brilhou com o Vinha Centenária branco 2017, as Azores Wine Company. Estes são apenas alguns exemplos, entre os melhores vinhos, premiados com Excelência.

PAIXÃO PELO VINHO ESCOLHA

Os prémios “Escolha” valorizam as melhores relações qualidade-preço, foram distinguidos 16 vinhos, como Castelo D’Arez Colheita Selecionada tinto 2016 e branco 2017, da Sociedade Agrícola da Arcebispa, e os Camolas Selection branco Reserva 2018 e tinto Reserva 2017, produzidos pela Adega Camolas, todos da Península de Setúbal, região que se destacou. A lista completa com todos os premiados, pode ser consultada na próxima edição da revista Paixão Pelo Vinho, nas bancas no final de março. Pode consultar todos os premiados na página seguinte.

Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 
QUALIDADE E VALOR

Para Maria Helena Duarte, fundadora e diretora da revista Paixão Pelo Vinho, “é fundamental reconhecer a qualidade, já que os prémios para além de valorizarem os vinhos e exponenciarem a sua procura nos mercados, interno e externo, dinamizando a economia, também ajudam os apreciadores a escolher os vinhos certos para cada ocasião”. Já João Pereira Santos, diretor adjunto da publicação, destaca que “a qualidade dos vinhos portugueses está cada vez melhor, posicionando-os entre os melhores do mundo!”.

Com tantos e tão bons vinhos, não vão faltar razões para juntar família e amigos em jantares especiais, convívios, boas conversas e grandes brindes! Pode sempre ir acompanhando a seleção de vinhos através do nosso novo website: www.revistapaixaopelovinho.com.



> texto PPV > fotografia Ernesto Fonseca e Sérgio Sacoto
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