Skip to content Skip to footer

Adega de Pegões: Uma cooperativa que ultrapassa fronteiras

Na vasta planície arenosa entre o Tejo e o Sado, ergue-se um dos projetos cooperativos mais relevantes do País. A Adega de Pegões não é apenas um exemplo de resistência, é a prova de como a união de pequenos produtores pode criar vinhos que conquistam o mundo e arrecadam cada vez mais prémios. 

A história da Adega de Pegões nasce nos anos 50, quando o grande proprietário rural e industrial de cerveja José Rovisco Pais doou as suas herdades de Pegões aos Hospitais Civis de Lisboa. Nelas viria a ser executado o maior projeto de Colonização Interna com a fixação de centenas de casais agrícolas.

A cooperativa foi formalizada para dar resposta a estas novas explorações familiares, garantindo apoio técnico, controlo de qualidade e escoamento da produção. O que começou como uma estrutura de subsistência evoluiu, décadas depois, para uma organização moderna, tecnicamente apurada e economicamente sustentável.

O território, composto por solos arenosos pobres, mas extremamente favoráveis à vinha, tornou-se o laboratório natural para o desenvolvimento de castas que hoje definem o perfil aromático da região.

Hoje, a Adega de Pegões reúne centenas de viticultores, distribuídos por mais de mil hectares de vinha. Mantém uma relação íntima com a paisagem e com as castas tradicionais que prosperam nos solos arenosos: Aragonez, Trincadeira, Fernão Pires, Arinto, Touriga Nacional, Antão Vaz, entre outras.

O clima quente da Península de Setúbal, influenciado pela proximidade do Atlântico, favorece vinhos expressivos, frutados e equilibrados, um perfil que tem sido a assinatura da adega nas últimas décadas.

A Adega de Pegões tornou-se um caso de estudo no setor cooperativo pela forma como profissionalizou processos, modernizou instalações e apostou em enologia de precisão, sem perder o vínculo humanista ao seu território. A atualização tecnológica, das linhas de vinificação ao laboratório interno, permitiu elevar a qualidade dos vinhos e garantir consistência ano após ano.

Pegões é hoje uma das adegas portuguesas mais premiadas internacionalmente, posicionando-se entre as cooperativas mais relevantes da Europa. Os seus vinhos conquistam regularmente medalhas em vários concursos um pouco por todo o mundo.

Pelo segundo ano consecutivo, o júri da ‘Sélections Mondiales des Vins’ atribuiu o título de Produtor do Ano à Cooperativa Adega de Pegões e a Jaime Quendera, enólogo da Adega, cujos vinhos obtiveram a pontuação média mais elevada no nosso País, calculada com base nas suas cinco ‘cuvées’ mais bem classificadas. Num universo de 1550 vinhos oriundos de 26 países distintos, Pegões destacou-se com a melhor classificação média dos cinco vinhos apresentados, com 92,6 pontos.

O modelo do concurso impede qualquer identificação sobre o país ou o produtor, sendo os vinhos avaliados exclusivamente pela qualidade e pelo ano de colheita, tornando a distinção ainda mais expressiva.

Através da sua experiência e precisão exemplar, Quendera e a sua equipa da Adega de Pegões continuam a personificar a excelência da produção vinícola portuguesa.

Considerados pelo júri como vinhos precisos, elegantes e fieis ao seu terroir, que refletem um domínio genuíno da arte da produção de vinho. Esta distinção destaca não só a notável consistência na qualidade dos seus vinhos, mas também a contribuição significativa do enólogo para o reconhecimento internacional da viticultura portuguesa.

Para Jaime Quendera esta distinção tem um peso histórico, “um produtor português a ultrapassar concorrentes de França, Itália ou Espanha, num concurso que reúne cerca de 450 produtores de todo o mundo”. Além do título principal, a Adega conquistou ainda o prémio de Melhor Produtor de Vinhos do Canadá, reforçando a sua posição num dos mercados mais relevantes para a instituição.

“É muito bom. É mesmo muito bom”, sublinha Jaime Quendera, enólogo da Adega de Pegões. “O Canadá é um mercado determinante para nós. Só este ano vendemos mais de um milhão de euros. É um país que valoriza os vinhos portugueses e acompanha com atenção aquilo que fazemos”. 

Prémios especiais e reconhecimento internacional

A estes somam-se outros reconhecimentos internacionais. A Adega de Pegões voltou a elevar o nome de Portugal além-fronteiras ao conquistar um dos prémios mais cobiçados do setor vitivinícola mundial. O “Fontanário de Pegões Vinhas Velhas” foi distinguido como o melhor Vinho de Portugal no Cathay Global Wine & Spirits Awards, uma das competições mais relevantes do continente asiático.

O concurso, realizado em Hong Kong, reúne anualmente centenas de produtores e especialistas internacionais que avaliam vinhos de todo o mundo segundo critérios rigorosos de qualidade, sabor e autenticidade. Entre milhares de rótulos, o vinho Adega de Pegões,destacou-se pela sua complexidade aromática e pela harmonia entre elegância e intensidade. Com esta distinção, a Adega de Pegões reforça o seu estatuto como uma das mais premiadas cooperativas vinícolas do país. Nos últimos anos, tem somado galardões em concursos de renome, comprovando a excelência dos seus vinhos e o trabalho consistente dos seus enólogos e produtores associados.

O prémio representa não apenas um reconhecimento à qualidade da produção regional, mas também uma montra internacional para os vinhos da Península de Setúbal, consolidando o território como uma das regiões vitivinícolas mais prestigiadas de Portugal.

“Num curto espaço de tempo ganhámos dois troféus de enorme relevância. O do Canadá tem um impacto muito maior enquanto distinção global da Adega; o da Ásia destaca a qualidade individual do vinho”, explica Jaime Quendera. 

Exportações em alta e presença em mais de 40 mercados

A Adega de Pegões exporta para mais de 40 mercados, com especial destaque para Holanda, Inglaterra, Polónia e Suécia, além do Brasil e de várias geografias extraeuropeias. O mercado externo representa atualmente 30% da faturação da cooperativa.

Em 2025, Pegões deverá terminar o ano com um crescimento de cerca de 10% nas exportações e um aumento acumulado entre 4% e 5% na faturação total, que deverá atingir 25 a 26 milhões de euros.

“Apesar da pressão sobre preços, conseguimos crescer. É um bom ano”, refere o responsável.

Vindima 2025: menos quantidade, qualidade excecional

Em simultâneo, a adega olha para a vindima de 2025 com particular otimismo. A colheita foi “curta”, mas considerada de qualidade excecional.

“A colheita de 2025 foi uma colheita de extrema qualidade. Tivemos menos quantidade, menos 20% a 25% do que em 2024, mas a qualidade é muito alta. Estou convencido de que 2025 vai marcar o setor com vinhos de excelência. Nem sempre quantidade significa qualidade. Este ano provou precisamente o contrário. Existiu pouca uva, mas uva excelente”, afirma Jaime Quendera, sublinhando que estes vinhos só chegarão ao mercado em 2027 ou 2028. 

As distinções acumuladas reforçam o papel da Adega de Pegões como uma referência do cooperativismo agrícola e da qualidade vínica nacional. Num setor marcado pela forte competição internacional, o desempenho em concursos de prestígio, da América do Norte à Ásia, demonstrando a consistência técnica, a evolução enológica e a capacidade de afirmação global.

Para Quendera, o significado é claro: “É um orgulho para a cooperativa e para todos os nossos produtores. Somos um projeto português, feito por pessoas da região, a competir com os melhores e maiores do mundo e muitas vezes ganhamos”.

Fotografias: D.R.

A revista Paixão Pelo Vinho provou e classificou, em 2019, mais de mil vinhos em prova cega. Os vinhos e espumantes que se destacaram pelas sedutoras características sensoriais, foram oficialmente premiados, recebendo as distinções “Paixão Pelo Vinho Prestígio”, Paixão Pelo Vinho Excelência” e “Paixão Pelo Vinho Escolha”. O evento realizou-se no passado dia 7 de março e foi partilhado pelos leitores e apreciadores de vinhos, que puderam participar, aplaudir, provar, aprender e brindar! 

O ponto alto de todas as publicações especializadas é sempre o dia em que se festeja o setor, que recebe todas as atenções durante o ano, e se entregam os prémios aos melhores. Assim aconteceu, também, com a revista Paixão Pelo Vinho que, no passado dia 7 de março, juntou produtores e enólogos, para entregar os prémios aos melhores vinhos e espumantes, provados no decorrer de 2019, e celebrar numa festa vínica, que juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa. 

O evento contou com a presença de uma seleção de premiados, que estiveram a dar a conhecer os seus vinhos, incluindo alguns convidados como Raríssimo By Osvaldo Amado, Quinta do Gradil e Enoport Wines, que aproveitaram a altura para fazer uma apresentação dos seus novos vinhos. Outro ponto alto do evento foi o ciclo de “Conversas com os Enólogos”, num espaço que esteve sempre esgotado e proporcionou a prova comentada de vinhos especiais, apresentados pelos seus enólogos.Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 

A festa vínica juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.
PAIXÃO PELO VINHO PRESTÍGIO

O prémio Paixão Pelo Vinho “Prestígio”, coube a oito produtores. Entre eles, três vinhos tintos, todos DOC Douro: Costa Boal Homenagem Douro tinto Grande Reserva 2011, da Costa Boal Family Estates; Quinta da Manoella Vinhas Velhas tinto 2016, da Wine & Soul; e Quinta da Oliveirinha Vinha Franca tinto (Touriga Franca) 2013, produzido pela família Alves de Sousa. 

Apenas um vinho branco ganhou “Prestígio”, foi o Terrantez do Pico, com Indicação Geográfica Açores, da colheita de 2018, produzido pela Azores Wine Company. 

Os Vinhos do Porto Vintage 2017 também estiveram em destaque, arrecadando quatro destes prémios mais altos: Portal, da Quinta do Portal; Croft Quinta da Roeda Serikos e Taylor’s Vargellas Vinha Velha, ambos produzidos por Quinta & Vineyard Bottlers – Vinhos; e Quinta das Lamelas, de José António da Fonseca Augusto Guedes.

PAIXÃO PELO VINHO EXCELÊNCIA

A “Excelência”, prémio equivalente às habituais medalhas de ouro, foi entregue a 44 produtores. O Douro destacou-se e veio de lá o único Moscatel premiado – Adega de Favaios Moscatel 1989. A casta Touriga Nacional esteve presente em muitos dos vinhos premiados, como o Quinta da Gricha Talhão 8 tinto 2016, da Churchill Graham. A Quinta do Noval conquistou dois prémios, com os Quinta do Noval tinto Reserva 2016 e Porto Vintage 2017. Também a Quinta da Barca foi distinguida com “Excelência” para os Busto branco Grande Escolha 2017 e tinto Grande Escolha 2016. O Secretum Arinto 2018 e, do mesmo produtor, o Lua Cheia em Vinhas Velhas tinto de Vinhas Velhas Reserva Especial 2016 também foram distinguidos com ouro. Márcio Lopes Winemaker recebeu dois prémios, um para o vinho Proibido DOC Douro tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2017 e para o Pequenos Rebentos Edição Especial Vinhas Velhas branco (Loureiro) Reserva 2018, DOC Vinho Verde. A casta Alvarinho foi premiada em duas interpretações: Dom Ponciano espumante Bruto Natural 2013 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2018. 

A Bairrada destacou-se, com dois prémios para a Adega de Cantanhede: Marquês de Marialva Edição Especial 65 Anos, tinto Garrafeira 2001, da casta Baga; e Marquês de Marialva tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2013. A região Tejo ficou bem representada, entre outros, pelos vinhos Desalmado tinto 2013 e pelo Bridão Private Collection tinto 2016, ambos da Adega do Cartaxo. 

O Scala Coeli tinto 2015, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida; o Monte da Capela 18 Anos tinto Grande Reserva 2016, da Casa Clara; e Mamoré de Borba tinto Grande Reserva 2015, da Sovibor, são bons exemplos de vinhos imperdíveis nascidos no Alentejo. 

A ilha do Pico também brilhou com o Vinha Centenária branco 2017, as Azores Wine Company. Estes são apenas alguns exemplos, entre os melhores vinhos, premiados com Excelência.

PAIXÃO PELO VINHO ESCOLHA

Os prémios “Escolha” valorizam as melhores relações qualidade-preço, foram distinguidos 16 vinhos, como Castelo D’Arez Colheita Selecionada tinto 2016 e branco 2017, da Sociedade Agrícola da Arcebispa, e os Camolas Selection branco Reserva 2018 e tinto Reserva 2017, produzidos pela Adega Camolas, todos da Península de Setúbal, região que se destacou. A lista completa com todos os premiados, pode ser consultada na próxima edição da revista Paixão Pelo Vinho, nas bancas no final de março. Pode consultar todos os premiados na página seguinte.

Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 
QUALIDADE E VALOR

Para Maria Helena Duarte, fundadora e diretora da revista Paixão Pelo Vinho, “é fundamental reconhecer a qualidade, já que os prémios para além de valorizarem os vinhos e exponenciarem a sua procura nos mercados, interno e externo, dinamizando a economia, também ajudam os apreciadores a escolher os vinhos certos para cada ocasião”. Já João Pereira Santos, diretor adjunto da publicação, destaca que “a qualidade dos vinhos portugueses está cada vez melhor, posicionando-os entre os melhores do mundo!”.

Com tantos e tão bons vinhos, não vão faltar razões para juntar família e amigos em jantares especiais, convívios, boas conversas e grandes brindes! Pode sempre ir acompanhando a seleção de vinhos através do nosso novo website: www.revistapaixaopelovinho.com.



> texto PPV > fotografia Ernesto Fonseca e Sérgio Sacoto
This Pop-up Is Included in the Theme
Best Choice for Creatives
Purchase Now