Costa Boal Homenagem e Garrafeira: Vinhos de excelência que não esquecem a tradição
O Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, foi o local escolhido para a apresentação dos três mais recentes vinhos da Costa Boal Family Estates. O Homenagem tinto 2011, Garrafeira branco 2022 e Garrafeira tinto 2017 são fruto do “respeito pelo tempo” e da visão de excelência da marca.
Fotografias: D.R. | Texto Mafalda Freire | in revista Paixão Pelo Vinho Ed. 100
A Costa Boal Family Estates é uma empresa produtora de vinhos nas regiões do Douro, Trás os-Montes (Mirandela) e no Alentejo (Estremoz). Criada em 2009, a Costa Boal lançou o primeiro vinho rotulado em 2010 e, hoje, tal como nessa altura aposta na valorização do património vitivinícola, nas vinhas velhas e na produção de vinhos de autor e de excelência mantém-se. Esta é bem evidenciada nas três mais recentes propostas da marca: Costa Boal Homenagem tinto 2011, Costa Boal Garrafeira branco 2022 e Costa Boal Garrafeira tinto 2017.

António Boal, explicou que a escolha do local se deveu ao facto do “Marquês de Pombal ter sido o criador da região do Douro, a região mais antiga do mundo”, e de onde são originários os vinhos apresentados. “Escolher este local é homenagear o visionário que soube reconhecer o valor do nosso território”, acrescentou o produtor.
Na apresentação, António Boal disse que “o vinho não é feito de dias, mas sim de tempo e de anos” já que é isso “que lhe dá profundidade e alma”. Já Paulo Nunes, enólogo do projeto, complementou o indicado pelo produtor: “Acreditamos que o vinho é mais do que o reflexo de uma vindima — é o reflexo da espera, do respeito pelo tempo e da vontade de criar algo que perdure por gerações”.
O responsável da Costa Boal referiu ainda estar “orgulhoso” pelos lançamentos indicando que os mesmos são “três ícones” sendo claro a emoção quando falou do Costa Boal Homenagem Tinto 2011, um relançamento dedicado ao pai do produtor que tem agora no mercado as últimas 500 garrafas disponíveis com um PVP de 249 euros. António Boal revelou à Paixão Pelo Vinho que a principal característica deste vinho é “o não estragar para fazer um grande vinho do Douro, do país e do mundo”. Além disso, quando questionado sobre o que diria o seu progenitor, o produtor destacou a “capacidade de continuar todo o legado” e de com “toda a informação e o património deixado ter conseguido fazer mais e cada vez melhor”.
Por outro lado, Paulo Nunes destacou a questão do relançamento: “Deixámos para trás 500 garrafas, acreditando sempre no potencial deste vinho”.
Os novos Garrafeira
Além do Homenagem tinto 2011, a marca lançou outras duas edições limitadas: o Costa Boal Garrafeira branco 2022, com 700 garrafas e um PVP de 90 euros, e o Costa Boal Garrafeira tinto 2017, limitado a 960 garrafas e com um PVP 130 euros. O enólogo disse que estas “são estreias absolutas no já extenso portfólio da Costa Boal” e esclareceu o que motivou estes vinhos: “Achamos que existe espaço para estes vinhos por aquilo que temos vindo a perceber nos vinhos que temos é a questão da longevidade. Resolvemos criar uma categoria, a Garrafeira, que é muito tradicional e que era muito usada em Portugal no passado. Isto pressupõe que os vinhos são pensados para terem longevidade”.
Paulo Nunes sublinhou ainda que “este são vinhos minimalistas na sua abordagem, em que usam fermentações espontâneas” e que, “em relação à questão da estabilidade, esperam o frio dos Invernos para que naturalmente se estabilizem, tanto o branco como o tinto. Só procedemos aos engarrafamentos após a estabilização natural”.
O Garrafeira branco 2022 “é feito de vinhas velhas. São vinhas em Cabêda a 600 metros de altitude, solos de transição com muito granito. Depois tem um toque de Arinto que lhe confere uma profundidade e uma acidez natural”, indicou.

Aposta nas vinhas velhas
Relativamente ao Garrafeira tinto, “o pensamento é muito semelhante” referiu Paulo Nunes e esclareceu o porquê: “Fomos às vinhas velhas de altitude, mas depois precisávamos de um aporte que lhe desse mais comprimento, mais longevidade, mais acidez. E as castas que naturalmente encontramos no Douro que lhe dão esse aporte são o Tinto Cão e o Sousão. Dentro dessa lógica, o blend é feito de vinhas velhas, do Tinto Cão e do Sousão”.
O Costa Boal Garrafeira tinto é, segundo o enólogo, ”um vinho extremamente jovem, apesar de estarmos a falar de um 2017, que ainda cheira a lagar e com os taninos muito presentes. Mas isso não me assusta de todo, antes pelo contrário, porque o vinho foi pensado para ter longevidade. Assustava-me se o vinho estivesse muito pronto, muito bebível hoje porque isso significava que se calhar poderia estar a hipotecar o seu futuro”, avançou Paulo Nunes.

No final, o enólogo fez à PPV um resumo dos vinhos apresentados: “Uma linha nova, um pensamento que é baseado na experiência que vamos tendo e percebendo a longevidade que os nossos vinhos conseguem ter”.
António Boal salientou ainda o trabalho conjunto com o enólogo: “Eu e o Paulo trabalhamos muito em sintonia e desenhamos os vinhos para longevidade” e no seguimento do que disse inicialmente sobre a necessidade de ser preciso tempo para criar grandes vinhos acrescentou que apesar de serem vinhos que foram vinificados há muitos anos, estes são uma aposta nessa longevidade: “Estão aqui vinhos para bebermos daqui a mais 10, 15 ou 20 anos”. O produtor destacou ainda que o Marquês de Pombal “tinha razão ao ter criado a região do Douro” já que esta “se sobrepõe a outras regiões a nível nacional e internacional”.
Em prova
Costa Boal DOC Douro branco Garrafeira 2022
Costa Boal DOC Douro tinto Garrafeira 2017
Costa Boal Homenagem DOC Douro tinto Grande Reserva 2011

Diversidade é mais-valia
O enólogo da Costa Boal definiu o que caracteriza e é diferenciador no extenso portfólio de vinhos deste produtor: “O puzzle de vinhas. Acho que o grande trabalho que é feito na Costa Boal é identificar vinhas, o que em termos de logística é extremamente complicado porque temos vinhas desde o Baixo Corgo até o Douro Superior, em diferentes altitudes, em diferentes cotas. A vindima é mesmo muito morosa porque existem amplitudes enormes, de maturações completamente díspares, mas é esta a riqueza que a Costa Boal hoje tem que lhe permite, dentro deste puzzle, dentro deste espectro, dentro desta amplitude, fazer os vinhos que fazemos”.

Paulo Nunes explicou ainda que costuma dizer que “os vinhos de equilíbrio são feitos com os desequilíbrios das vinhas, ou seja, numa vinha vamos buscar uma acidez mais elevada porque estamos numa cota mais elevada, noutra vamos buscar mais concentração, mais fruta madura e são esses desequilíbrios que fazem o equilíbrio da Costa Boal”.
Vindima promissora
Sobre a vindima de 2025, o enólogo disse que “foi das mais trabalhosas” e que “as expectativas à entrada da vindima não eram as melhores”, mas que foi “surpreendido positivamente”. Paulo Nunes recordou como foi o ano climático para explicar a boa surpresa que teve: “Tivemos muita chuva até Abril, provavelmente foi dos invernos mais chuvosos que tenho memória, e depois tivemos provavelmente o verão mais quente desde que eu tenho memória com longos períodos com temperaturas muito elevadas. Todos estes desequilíbrios, de alguma forma, não eram evidentes que contribuíssem para o bom ciclo de maturação e para o bom ciclo vegetativo da planta. As nossas vinhas são de sequeiro e, por isso, estamos muito expostos à questão do verão quente e seco. A grande benesse que tivemos, sem percebermos, foi termos um inverno que se prolongou no tempo com uma grande carga hídrica e que implicou ter lençóis freáticos nos níveis máximos. Assim, as plantas aguentaram o verão de uma forma estoica. Estou muito surpreendido pela positiva com a vindima”.
Paulo Nunes disse ainda o motivo para em 2025 a vindima ser “morosa”, referindo que “cada casta, cada vinha reagiu de uma forma independente. Aquela regularidade que teríamos num sistema de vindima, em que sabíamos religiosamente que primeiro vindimamos aquela parcela, depois vamos a outra, depois vamos àquela, este ano foi muito mais aleatório. Foi preciso estar constantemente na vinha, a monitorizar, e aquilo que era o ciclo natural de outros anos, este ano não acontece. Mas acho que o ano é compensador”, concluiu.
Um futuro sustentado
O produtor referiu que a “Costa Boal hoje já é um dos grandes players a nível nacional” que “está presente em três regiões”, mas que, por sua vontade, ”já estaria em mais duas, pelo menos”. António Boal falou da necessidade “saber parar e abrandar” algo motivado “pela conjuntura económica” que já levou “outros grandes players de outras regiões a abrandar”, além de “dar espaço para outros” produtores.
Mas avançou à Paixão Pelo Vinho que vão existir novidades em breve: “Na Costa Boal estamos muito atentos ao mercado nacional e internacional. Já há algum tempo que o mercado está a focar-se em vinhos da região dos Vinhos Verdes e da Bairrada e os próximos investimentos vão passar por aí”.

Elegância também no exterior
Os vinhos Costa Boal Homenagem tinto 2011, Costa Boal Garrafeira branco 2022 e Costa Boal Garrafeira tinto 2017 têm também uma nova imagem “que honra os pilares da marca e celebra o seu DNA cultural e natural”. O packaging, idealizado pela equipa da Costa Boal e concebido pela MA Creative, é uma obra de design que, nas caixas, usa madeira de matas queimadas nos incêndios ocorridos no verão de 2025. Esta foi recuperada, tratada e transformada sendo que esta opção demonstra a preocupação do produtor com sustentabilidade e na promoção da economia circular.
As caixas têm duas tiras de pele natural, em tons vermelho e preto para tintos e verde para brancos que “reforçam a autenticidade e a elegância do conjunto”. Além disso, a caixa transforma-se num expositor e tem, como nos rótulos das garrafas, elementos metálicos que reproduzem o brasão (Garrafeira) e o busto do fundador da Costa Boal (Homenagem). Os rótulos das garrafas têm cores neutras e elegantes que “reforçam o DNA e a herança cultural da marca”, explicou o general manager da MA Creative, Luís Marques. “Cada detalhe foi pensado com carinho, conferindo-lhe uma textura sensorial ímpar, que convida ao toque e desperta emoções”, referiu ainda o designer.
Celebrar o Douro
O lançamento dos vinhos da Costa Boal foi efetuado durante um almoço em que o Homenagem tinto 2011, Garrafeira branco 2022 e Garrafeira tinto 2017 acompanharam um “Menu Douro” criado pela Chef Justa Nobre. Este foi constituído por diversos pratos entre os quais foie gras com uvas caramelizadas; rojões de porco bísaro sobre torrada de pão de centeio; shot de sopa de santola; polvo confitado em azeite e tomilho com milhos de grelos e cabrito assado à transmontana com batata assada e arroz de forno. A elegância, frescura e corpo dos vinhos conjugou na perfeição com as iguarias idealizadas pela conceituada Chef nascida em Trás-os-Montes.


Costa Boal Family Estates
A Costa Boal Family Estates é um produtor de vinhos com raízes profundas nas encostas dramáticas do Douro, na autenticidade de Trás-os-Montes e no Alentejo de Estremoz. A ligação da família à vinha e ao vinho remonta a 1857 e nasce em Cabêda, aldeia do Douro classificada como Património Mundial, situada no planalto de Alijó.
Com uma forte aposta na valorização das suas vinhas e apoiada por uma equipa jovem, coesa e dedicada, a Costa Boal desenvolve um projeto de vinhos de autor, consistente e orientado para a excelência. Em 2024, a empresa deu um novo passo com a aquisição de uma quinta em Favaios, no Douro, abrindo portas ao enoturismo e reforçando a ligação entre território, vinha e experiência.
Mais recentemente, a compra de mais 10 hectares de vinhas velhas em Trás-os-Montes veio consolidar a Costa Boal Family Estates como um dos mais relevantes guardiões deste património no país, totalizando atualmente 22 hectares de vinhas antigas. Este percurso valeu-lhe também a distinção de ser o primeiro produtor português a integrar a associação internacional Old Vine Conference.
Cada parcela é encarada como um património vitivinícola de valor único à escala mundial, um legado que a empresa assume com responsabilidade, respeito e um compromisso firme com a sua preservação.













