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Fetish – Cool Kitchen: Gastronomia contemporânea conquista a Beira Interior

Numa terra onde a maioria dos projetos gastronómicos se orienta para o turismo, o Fetish – Cool Kitchen quer romper o padrão. Instalado junto à Serra da Estrela, o restaurante assume-se como um espaço pensado, antes de tudo, para a população da Beira Interior — de Castelo Branco ao Fundão, passando pela Covilhã. A promessa é clara: uma cozinha contemporânea com raízes locais e ousadia criativa, pelas mãos dos Chefes Hélio Loureiro, uma referência na gastronomia nacional, e pelo irreverente Luís Jesus, que transforma ingredientes em verdadeiras obras de arte.

Texto: Maria Helena Duarte e Zita Salvador | Fotografias: Ernesto Fonseca | in revista Paixão Pelo Vinho Ed.100

Nas mãos do chefe consultor Hélio Loureiro, o Fetish – Cool Kitchen assume uma missão nada habitual para um restaurante localizado no interior. “Este espaço foi pensado para as pessoas da região. Queremos que venham a um espaço moderno, atraente, onde a tradição ganha nova vida. A essência está na ligação entre o passado, o presente e o futuro, mas sempre com boa cozinha, porque só há duas: a boa e a má”, sublinha o chefe. 

O responsável pela autoria dos pratos é o jovem chefe executivo Luís Jesus, 36 anos, que assume a cozinha após um encontro inesperado com Hélio Loureiro num festival de chocolate, em Óbidos. O convite surgiu depois de este provar uma criação sua. “Apresentei lhe um chocolate branco quente com açafrão, frutas secas e cardamomo. Na altura eu tinha acabado de fechar o meu restaurante e, quando surgiu o convite, nem pensei duas vezes. É um projeto que me desafia nessa procura pelo equilíbrio: arriscar, mas com cuidado, para ganharmos a confiança do público.”

Para Luís Jesus,este restaurante assume-se, como um convite a quem vive e visita a região, mas sobretudo como um espaço que reivindica gastronomia contemporânea feita no e para o interior. “Só pedimos que nos deem uma oportunidade e nos visitem. É preciso arriscar e conhecer. O resto acontece à mesa”, salienta o chefe Luís de Jesus.

Com influências de cozinhas asiáticas e passagem profissional por Portugal, Angola e vários conceitos urbanos, Luís procura uma identidade própria no interior, respeitando o território sem perder irreverência. “A ideia é sermos criativos, mas mantendo o sabor como memória. Poucos ingredientes, muita presença, conforto e emoção. Um prato precisa de surpreender, sem deixar de nos lembrar de casa.”

Criatividade com obstáculos locais

Mas a aposta na localização e na proximidade vem acompanhada de desafios. No interior, nem sempre é fácil trabalhar com produtos locais, sobretudo carne e peixe. E o Chefe Hélio Loureiro explica porquê. “O peixe fresco é uma luta, e a carne de qualidade existe, mas a compra é difícil porque muitos produtores só vendem o animal inteiro. Parece que tudo é simples por estarmos na terra, mas não é assim”.

Ainda assim, o restaurante garante o esforço de abastecimento local sempre que possível, com fornecedores regionais e produtores de pequeno porte.

Com a chegada do frio, o Fetish – Cool Kitchen prepara novos pratos de conforto, focados em carnes, intensidade aromática e sazonalidade. Na nova carta encontrará entradas, como por exemplo: Rotos à Brava (Ovos a baixa temperatura envoltos em batata frita, cebola e rabo de boi), De Goa à Beira (Chamuças de queijo de cabra, puré de pêssego e pesto de frutos secos) ou a Vieira Royale (Vieiras braseadas com massa fresca e ovas de salmão), entre outros petiscos. 

Nos pratos principais encontrará, pratos vegetarianos, de peixe e de carne. Nos pratos vegetarianos delicie-se com um Risotto Campestre (Risotto de espargos verdes e tomate cereja assado) ou Funghi Romana (Cacio e pepe com cogumelos campestres e lascas de parmesão), entre outros. 

No peixe poderá optar por Bacalhau Atlântico à Serra (Bacalhau confitado, puré de castanha, creme de alho e presunto e chips de couve roxa), Maré Negra (Filete de polvo em panko, esmagada de batata doce fumada, pickles de pepino e leve toque de tinta de choco) ou Massada de Lavagante e Cherne (2 pessoas – Lavagante, cherne e camarão em caldo com massa cotovelinho e crocante de massa folhada), entre outras iguarias. 

Se é fã de carne não deixe de experimentar o Wellington de Rabo de Boi com molho de cogumelos selvagens, salada verde com fruta e frutos secos, Javali Bêbedo (Javali em vinho tinto com abóbora assada e batata salteada) ou um Veado Montano (Lombo de veado com feijocas estufadas à serrana com cogumelos), entre outros. 

A rematar a sua refeição saboreie um Doce Sentença (Mil folhas de biscoitos de cerveja com creme mousseline e frutos vermelhos), um Éclair de La Passion (Éclair de pistácio e chocolate) ou um Magia do Tiramisù (Tiramisù tradicional elaborado à mesa), entre outras guloseimas.  Sempre acompanhado por um bom vinho e irresistíveis Cocktails. 

Por tudo isto, o Fetish – Cool Kitchen é muito mais do que gastronomia é um ponto de encontro, um espaço social e cultural da região, com música, DJ, vinhos selecionados e ambiente descontraído. A carta de vinhos, embora curta, é pensada para garantir harmonizações seguras com rótulos portugueses, incluindo na cozinha. “Um mau vinho não faz boa comida. Na nossa cozinha, o vinho também é protagonista”, salienta Hélio Loureiro.

O preço médio de uma refeição completa ronda 40 a 45 euros por pessoa, com entrada, prato principal, sobremesa e vinho. O restaurante funciona maioritariamente em horário de jantar, com ajustes de funcionamento no inverno.

Chefe Luís Jesus, um percurso diferente

Um dos chefes do restaurante Fetish é Luís Jesus que assume que a gastronomia não veio por paixão, mas por acaso. Pensou seguir jornalismo, mas foi a assistir um programa de televisão que dava conta que o Chefe José Cordeiro tinha ganho uma estrela Michelin, que o fez mudar de ideias. “Aquilo cativou-me e fez de mim o que sou hoje”, relembra Luís Jesus. 

O que o inspira é “olhar para trás”. “Não procuro tendências, ideais ou modas, mas sim, o que os antepassados nos deixaram, depois dou o meu toque oriental às coisas”.

Quando questionado que ingredientes não dispensa nos seus pratos, Luís responde a “pimenta”, mas acrescenta, “num restaurante é difícil ter um ingrediente que dispenso. O cliente tem mudado muito ultimamente e não aceita tão bem as ideias específicas de um chefe. No entanto, no meu dia a dia a pimenta é algo essencial”.

Segundo Luís Jesus há dois pratos que se destacam no Fetish pela sua forte combinação de sabores: a empada de caça com ameixa preta estufada no caldo de caça com maçã golden salteada, e o bacalhau a baixa temperatura com puré de castanha “queimada”, chips de couve roxa e puré de alho e presunto.

Quanto ao seu percurso profissional destaca a sua passagem por Angola, a frescura dos produtos, embora na sua opinião “estes não sejam bem aproveitados”. Destaca também o Oeste pela maravilha do seu pescado. A nível de formação não se esquece de parte da sua vida como sushiman onde aprendeu imenso. Quanto a prémios, orgulha-se de ter chegado a finalista no Concurso Internacional de Chocolatier de Óbidos com apenas 18 anos.

Quando não está a cozinhar tem dois hobbies que leva muito a sério. “Sou músico amador desde os meus 8 anos – trombone de vara – e tento sempre que há oportunidade estar com a minha rapaziada na música. Outro passatempo é o da escrita, adoro escrever poesia, contos infantis, ficção científica e ando com um romance em mãos”.

Texto: Maria Helena Duarte e Zita Salvador | Fotografias: Ernesto Fonseca | in revista Paixão Pelo Vinho Ed.100

A revista Paixão Pelo Vinho provou e classificou, em 2019, mais de mil vinhos em prova cega. Os vinhos e espumantes que se destacaram pelas sedutoras características sensoriais, foram oficialmente premiados, recebendo as distinções “Paixão Pelo Vinho Prestígio”, Paixão Pelo Vinho Excelência” e “Paixão Pelo Vinho Escolha”. O evento realizou-se no passado dia 7 de março e foi partilhado pelos leitores e apreciadores de vinhos, que puderam participar, aplaudir, provar, aprender e brindar! 

O ponto alto de todas as publicações especializadas é sempre o dia em que se festeja o setor, que recebe todas as atenções durante o ano, e se entregam os prémios aos melhores. Assim aconteceu, também, com a revista Paixão Pelo Vinho que, no passado dia 7 de março, juntou produtores e enólogos, para entregar os prémios aos melhores vinhos e espumantes, provados no decorrer de 2019, e celebrar numa festa vínica, que juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa. 

O evento contou com a presença de uma seleção de premiados, que estiveram a dar a conhecer os seus vinhos, incluindo alguns convidados como Raríssimo By Osvaldo Amado, Quinta do Gradil e Enoport Wines, que aproveitaram a altura para fazer uma apresentação dos seus novos vinhos. Outro ponto alto do evento foi o ciclo de “Conversas com os Enólogos”, num espaço que esteve sempre esgotado e proporcionou a prova comentada de vinhos especiais, apresentados pelos seus enólogos.Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 

A festa vínica juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.
PAIXÃO PELO VINHO PRESTÍGIO

O prémio Paixão Pelo Vinho “Prestígio”, coube a oito produtores. Entre eles, três vinhos tintos, todos DOC Douro: Costa Boal Homenagem Douro tinto Grande Reserva 2011, da Costa Boal Family Estates; Quinta da Manoella Vinhas Velhas tinto 2016, da Wine & Soul; e Quinta da Oliveirinha Vinha Franca tinto (Touriga Franca) 2013, produzido pela família Alves de Sousa. 

Apenas um vinho branco ganhou “Prestígio”, foi o Terrantez do Pico, com Indicação Geográfica Açores, da colheita de 2018, produzido pela Azores Wine Company. 

Os Vinhos do Porto Vintage 2017 também estiveram em destaque, arrecadando quatro destes prémios mais altos: Portal, da Quinta do Portal; Croft Quinta da Roeda Serikos e Taylor’s Vargellas Vinha Velha, ambos produzidos por Quinta & Vineyard Bottlers – Vinhos; e Quinta das Lamelas, de José António da Fonseca Augusto Guedes.

PAIXÃO PELO VINHO EXCELÊNCIA

A “Excelência”, prémio equivalente às habituais medalhas de ouro, foi entregue a 44 produtores. O Douro destacou-se e veio de lá o único Moscatel premiado – Adega de Favaios Moscatel 1989. A casta Touriga Nacional esteve presente em muitos dos vinhos premiados, como o Quinta da Gricha Talhão 8 tinto 2016, da Churchill Graham. A Quinta do Noval conquistou dois prémios, com os Quinta do Noval tinto Reserva 2016 e Porto Vintage 2017. Também a Quinta da Barca foi distinguida com “Excelência” para os Busto branco Grande Escolha 2017 e tinto Grande Escolha 2016. O Secretum Arinto 2018 e, do mesmo produtor, o Lua Cheia em Vinhas Velhas tinto de Vinhas Velhas Reserva Especial 2016 também foram distinguidos com ouro. Márcio Lopes Winemaker recebeu dois prémios, um para o vinho Proibido DOC Douro tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2017 e para o Pequenos Rebentos Edição Especial Vinhas Velhas branco (Loureiro) Reserva 2018, DOC Vinho Verde. A casta Alvarinho foi premiada em duas interpretações: Dom Ponciano espumante Bruto Natural 2013 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2018. 

A Bairrada destacou-se, com dois prémios para a Adega de Cantanhede: Marquês de Marialva Edição Especial 65 Anos, tinto Garrafeira 2001, da casta Baga; e Marquês de Marialva tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2013. A região Tejo ficou bem representada, entre outros, pelos vinhos Desalmado tinto 2013 e pelo Bridão Private Collection tinto 2016, ambos da Adega do Cartaxo. 

O Scala Coeli tinto 2015, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida; o Monte da Capela 18 Anos tinto Grande Reserva 2016, da Casa Clara; e Mamoré de Borba tinto Grande Reserva 2015, da Sovibor, são bons exemplos de vinhos imperdíveis nascidos no Alentejo. 

A ilha do Pico também brilhou com o Vinha Centenária branco 2017, as Azores Wine Company. Estes são apenas alguns exemplos, entre os melhores vinhos, premiados com Excelência.

PAIXÃO PELO VINHO ESCOLHA

Os prémios “Escolha” valorizam as melhores relações qualidade-preço, foram distinguidos 16 vinhos, como Castelo D’Arez Colheita Selecionada tinto 2016 e branco 2017, da Sociedade Agrícola da Arcebispa, e os Camolas Selection branco Reserva 2018 e tinto Reserva 2017, produzidos pela Adega Camolas, todos da Península de Setúbal, região que se destacou. A lista completa com todos os premiados, pode ser consultada na próxima edição da revista Paixão Pelo Vinho, nas bancas no final de março. Pode consultar todos os premiados na página seguinte.

Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 
QUALIDADE E VALOR

Para Maria Helena Duarte, fundadora e diretora da revista Paixão Pelo Vinho, “é fundamental reconhecer a qualidade, já que os prémios para além de valorizarem os vinhos e exponenciarem a sua procura nos mercados, interno e externo, dinamizando a economia, também ajudam os apreciadores a escolher os vinhos certos para cada ocasião”. Já João Pereira Santos, diretor adjunto da publicação, destaca que “a qualidade dos vinhos portugueses está cada vez melhor, posicionando-os entre os melhores do mundo!”.

Com tantos e tão bons vinhos, não vão faltar razões para juntar família e amigos em jantares especiais, convívios, boas conversas e grandes brindes! Pode sempre ir acompanhando a seleção de vinhos através do nosso novo website: www.revistapaixaopelovinho.com.



> texto PPV > fotografia Ernesto Fonseca e Sérgio Sacoto
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