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Castilla y León: onde o vinho desenha a identidade de um território

Castilla y León é um território onde o vinho, a história e a gastronomia se cruzam de forma autêntica e profunda. Entre planaltos de altitude, vinhas antigas e cidades carregadas de património, esta região do norte de Espanha afirma-se como uma das mais ricas e diversas do panorama vitivinícola europeu. Ao longo de três dias, percorremos denominações emblemáticas, conhecemos projetos de referência e vivemos experiências que revelam a identidade, o carácter e a visão contemporânea dos vinhos de Castilla y León – uma viagem que se conta, a partir daqui, “bodega a bodega”.

in revista Paixão Pelo Vinho Ed. 100 | Texto ©Maria Helena Duarte | Fotografias ©Ernesto Fonseca

No coração do norte de Espanha, Castilla y León afirma-se como uma das regiões vitivinícolas mais vastas, diversas e fascinantes da Europa. Um território de planaltos elevados, grandes amplitudes térmicas, solos pobres e uma história profundamente ligada à vinha, ao vinho e à gastronomia. Aqui, o tempo parece correr a outro ritmo – mais lento, mais autêntico – e cada paisagem conta uma história moldada pela natureza e pela mão humana.

Composto por nove províncias – Ávila, Burgos, León, Palencia, Salamanca, Segóvia, Soria, Valladolid e Zamora – este é um território de contrastes, onde a dureza do clima continental convive com uma surpreendente elegância nos vinhos. As vinhas estendem-se, em muitos casos, entre os 700 e os 900 metros de altitude, beneficiando de dias quentes e noites frescas, condições ideais para preservar frescura, acidez e definição aromática.

Vinhos de carácter e altitude

Castilla y León é sinónimo de vinhos com identidade. Nos tintos, a grande protagonista é a Tempranillo – conhecida localmente como Tinta del País ou Tinto Fino – que encontra aqui uma das suas expressões mais nobres: vinhos estruturados, profundos, com taninos firmes, frescura natural e notável capacidade de envelhecimento. A casta surge muitas vezes acompanhada por pequenas percentagens de Cabernet Sauvignon, Merlot ou Garnacha, dependendo da denominação e da filosofia de cada produtor.

Nos brancos, a Verdejo assume um papel central, sobretudo na DO Rueda, revelando-se muito mais do que um vinho jovem e aromático. Em projetos de autor e interpretações mais ambiciosas, a casta ganha dimensão, textura e vocação de guarda, provando que Castilla y León também sabe fazer grandes brancos.

Castilla y León – Bodegas Belondrade | ©Ernesto Fonseca

Denominações de Origem que definem o território

Entre as principais Denominações de Origem, destacam-se a Ribera del Duero, referência absoluta nos grandes tintos espanhóis; Rueda, berço dos brancos de Verdejo; Cigales, conhecida pelos rosados, mas também por tintos cada vez mais consistentes; Toro, de vinhos intensos e poderosos; Bierzo, com a expressiva Mencía; Arribes, Arlanza, Tierra del Vino de Zamora e Valles de Benavente, que completam o mapa de diversidade da região. Cada uma contribui para um mosaico vitivinícola rico, plural e em constante evolução.

Gastronomia com alma castelhana

A gastronomia é outro dos pilares identitários de Castilla y León. Assente numa extraordinária qualidade de matérias-primas, preserva receitas ancestrais e celebra sabores autênticos. O lechazo assado (cordeiro de leite), o cochinillo de Segóvia, os enchidos tradicionais, as leguminosas emblemáticas, os queijos de ovelha e a micologia – com destaque para boletos e trufas – fazem parte de um receituário profundamente ligado ao território.

Ao mesmo tempo, a região vive um momento notável de afirmação gastronómica contemporânea, com chefs premiados, estrelas Michelin e uma abordagem moderna que respeita o produto e a tradição, criando experiências memoráveis à mesa.

Restaurante Arrobe, Bodegas Yllera | ©Ernesto Fonseca

Enoturismo, património e cidades históricas

O enoturismo tem vindo a ganhar expressão, com bodegas abertas a visitas, provas comentadas, restaurantes, hotéis vínicos e experiências imersivas que cruzam vinho, cultura e paisagem. Cidades como Valladolid, Segóvia, Salamanca ou Burgos acrescentam uma forte dimensão patrimonial, com centros históricos classificados, castelos, mosteiros e uma herança cultural incontornável.

Não é por acaso que foi em Tordesilhas, nesta região, que em 1494 se assinou o histórico Tratado de Tordesilhas, um marco que redefiniu o mundo conhecido – um episódio que ajuda a compreender a importância estratégica e histórica de Castilla y León ao longo dos séculos.

Um roteiro de três dias pelo vinho de Castilla y León

Foi neste contexto que, ao longo de três dias, percorremos algumas das mais emblemáticas adegas da região, num convite lançado e apoiado pelo Instituto para la Competitividad Empresarial de Castilla y León, permitindo uma leitura aprofundada da diversidade, do talento e da visão que hoje definem Castilla y León.

No primeiro dia, a Ribera del Duero revelou-se através das visitas às Bodegas Portia e às Bodegas Neo, projetos distintos, mas unidos pela força do território e pela interpretação rigorosa da Tempranillo.

O segundo dia levou-nos a Peñafiel e a Rueda, com passagem pelo Pago de Carraovejas, Bodegas Yllera e Bodegas Belondrade, num diálogo entre grandes tintos, brancos de excelência e propostas de enoturismo que cruzam vinho, gastronomia e cultura.

No terceiro dia, explorámos a memória e a continuidade histórica nas Bodegas De Alberto, regressámos à Ribera del Duero com a visita à Bodegas Protos e encerrámos o percurso na Bodegas Concejo, na DO Cigales, onde tradição e inovação caminham lado a lado.

O roteiro terminou à mesa, num ambiente intimista e acolhedor, no restaurante Suite 22, onde a experiência gastronómica – feita de petiscos autênticos, serviço irrepreensível e uma carta de vinhos exemplar – se revelou o fecho perfeito para dias intensos de descoberta. Uma experiência genuína, memorável e absolutamente recomendável.

Este artigo abre, assim, caminho para a apresentação individual das “bodegas” (adegas) visitadas – projetos que, cada um à sua maneira, ajudam a contar a história contemporânea de Castilla y León através do vinho. Uma região que não se limita a produzir grandes vinhos, mas que convida a vivê-los, compreendê-los e regressar.

Informação completa, aqui:

A Paixão Pelo Vinho visitou Castilla y León a convite do ICECYL

A revista Paixão Pelo Vinho provou e classificou, em 2019, mais de mil vinhos em prova cega. Os vinhos e espumantes que se destacaram pelas sedutoras características sensoriais, foram oficialmente premiados, recebendo as distinções “Paixão Pelo Vinho Prestígio”, Paixão Pelo Vinho Excelência” e “Paixão Pelo Vinho Escolha”. O evento realizou-se no passado dia 7 de março e foi partilhado pelos leitores e apreciadores de vinhos, que puderam participar, aplaudir, provar, aprender e brindar! 

O ponto alto de todas as publicações especializadas é sempre o dia em que se festeja o setor, que recebe todas as atenções durante o ano, e se entregam os prémios aos melhores. Assim aconteceu, também, com a revista Paixão Pelo Vinho que, no passado dia 7 de março, juntou produtores e enólogos, para entregar os prémios aos melhores vinhos e espumantes, provados no decorrer de 2019, e celebrar numa festa vínica, que juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa. 

O evento contou com a presença de uma seleção de premiados, que estiveram a dar a conhecer os seus vinhos, incluindo alguns convidados como Raríssimo By Osvaldo Amado, Quinta do Gradil e Enoport Wines, que aproveitaram a altura para fazer uma apresentação dos seus novos vinhos. Outro ponto alto do evento foi o ciclo de “Conversas com os Enólogos”, num espaço que esteve sempre esgotado e proporcionou a prova comentada de vinhos especiais, apresentados pelos seus enólogos.Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 

A festa vínica juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.
PAIXÃO PELO VINHO PRESTÍGIO

O prémio Paixão Pelo Vinho “Prestígio”, coube a oito produtores. Entre eles, três vinhos tintos, todos DOC Douro: Costa Boal Homenagem Douro tinto Grande Reserva 2011, da Costa Boal Family Estates; Quinta da Manoella Vinhas Velhas tinto 2016, da Wine & Soul; e Quinta da Oliveirinha Vinha Franca tinto (Touriga Franca) 2013, produzido pela família Alves de Sousa. 

Apenas um vinho branco ganhou “Prestígio”, foi o Terrantez do Pico, com Indicação Geográfica Açores, da colheita de 2018, produzido pela Azores Wine Company. 

Os Vinhos do Porto Vintage 2017 também estiveram em destaque, arrecadando quatro destes prémios mais altos: Portal, da Quinta do Portal; Croft Quinta da Roeda Serikos e Taylor’s Vargellas Vinha Velha, ambos produzidos por Quinta & Vineyard Bottlers – Vinhos; e Quinta das Lamelas, de José António da Fonseca Augusto Guedes.

PAIXÃO PELO VINHO EXCELÊNCIA

A “Excelência”, prémio equivalente às habituais medalhas de ouro, foi entregue a 44 produtores. O Douro destacou-se e veio de lá o único Moscatel premiado – Adega de Favaios Moscatel 1989. A casta Touriga Nacional esteve presente em muitos dos vinhos premiados, como o Quinta da Gricha Talhão 8 tinto 2016, da Churchill Graham. A Quinta do Noval conquistou dois prémios, com os Quinta do Noval tinto Reserva 2016 e Porto Vintage 2017. Também a Quinta da Barca foi distinguida com “Excelência” para os Busto branco Grande Escolha 2017 e tinto Grande Escolha 2016. O Secretum Arinto 2018 e, do mesmo produtor, o Lua Cheia em Vinhas Velhas tinto de Vinhas Velhas Reserva Especial 2016 também foram distinguidos com ouro. Márcio Lopes Winemaker recebeu dois prémios, um para o vinho Proibido DOC Douro tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2017 e para o Pequenos Rebentos Edição Especial Vinhas Velhas branco (Loureiro) Reserva 2018, DOC Vinho Verde. A casta Alvarinho foi premiada em duas interpretações: Dom Ponciano espumante Bruto Natural 2013 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2018. 

A Bairrada destacou-se, com dois prémios para a Adega de Cantanhede: Marquês de Marialva Edição Especial 65 Anos, tinto Garrafeira 2001, da casta Baga; e Marquês de Marialva tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2013. A região Tejo ficou bem representada, entre outros, pelos vinhos Desalmado tinto 2013 e pelo Bridão Private Collection tinto 2016, ambos da Adega do Cartaxo. 

O Scala Coeli tinto 2015, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida; o Monte da Capela 18 Anos tinto Grande Reserva 2016, da Casa Clara; e Mamoré de Borba tinto Grande Reserva 2015, da Sovibor, são bons exemplos de vinhos imperdíveis nascidos no Alentejo. 

A ilha do Pico também brilhou com o Vinha Centenária branco 2017, as Azores Wine Company. Estes são apenas alguns exemplos, entre os melhores vinhos, premiados com Excelência.

PAIXÃO PELO VINHO ESCOLHA

Os prémios “Escolha” valorizam as melhores relações qualidade-preço, foram distinguidos 16 vinhos, como Castelo D’Arez Colheita Selecionada tinto 2016 e branco 2017, da Sociedade Agrícola da Arcebispa, e os Camolas Selection branco Reserva 2018 e tinto Reserva 2017, produzidos pela Adega Camolas, todos da Península de Setúbal, região que se destacou. A lista completa com todos os premiados, pode ser consultada na próxima edição da revista Paixão Pelo Vinho, nas bancas no final de março. Pode consultar todos os premiados na página seguinte.

Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 
QUALIDADE E VALOR

Para Maria Helena Duarte, fundadora e diretora da revista Paixão Pelo Vinho, “é fundamental reconhecer a qualidade, já que os prémios para além de valorizarem os vinhos e exponenciarem a sua procura nos mercados, interno e externo, dinamizando a economia, também ajudam os apreciadores a escolher os vinhos certos para cada ocasião”. Já João Pereira Santos, diretor adjunto da publicação, destaca que “a qualidade dos vinhos portugueses está cada vez melhor, posicionando-os entre os melhores do mundo!”.

Com tantos e tão bons vinhos, não vão faltar razões para juntar família e amigos em jantares especiais, convívios, boas conversas e grandes brindes! Pode sempre ir acompanhando a seleção de vinhos através do nosso novo website: www.revistapaixaopelovinho.com.



> texto PPV > fotografia Ernesto Fonseca e Sérgio Sacoto
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