Portugal e Itália juntos pela mão de Riccardo Cotarella e Luísa Amorim
O Salão Nobre do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, recebeu uma “masterclass” dedicada a vinhos de diferentes regiões de Itália, conduzida por Riccardo Cotarella. Conhecido como o “enólogo do Papa”, Cotarella é uma das figuras mais prestigiadas da enologia italiana, com um percurso reconhecido enquanto académico, consultor de diversos produtores e presença ativa em instituições ligadas ao vinho, dentro e fora de Itália, agora também na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, Taboadella e Herdade Aldeia de Cima.
A vinda a Portugal aconteceu a convite de Luísa Amorim, gestora dos negócios de vinho do Grupo Amorim, fruto da amizade de longa data entre as duas famílias. Natural da Úmbria, em Itália, Riccardo Cotarella é uma das figuras mais influentes da enologia internacional. Docente de Enologia na Universidade da Tuscia, presidente da Assoenologi, a associação italiana de enólogos, e da União Internacional de Enólogos, é também frequentemente referido como o “enólogo do Papa”, pelo trabalho desenvolvido com o Vaticano. Recentemente, lançou a sua autobiografia oficial, “Il Vino e la Vita. La Mia Storia”, onde revisita um percurso profundamente ligado ao vinho, à investigação e à valorização dos territórios.
Este encontro teve como objetivo aprofundar o diálogo e a partilha de conhecimento entre dois grandes países produtores de vinho, Portugal e Itália, ambos marcados por um vasto património genético, por práticas vitivinícolas ancestrais e por uma forte cultura de observação empírica do território.

Vinhos de Itália em números
Riccardo Cotarella começou por apresentar a realidade atual do setor vitivinícola italiano e a sua presença no mundo. Itália é hoje o maior produtor mundial de vinho e também o país que mais exporta em volume, ocupando a segunda posição em valor. Conta com cerca de 680 mil hectares de vinha, mais de 600 castas registadas e uma impressionante diversidade vitícola, sendo que cerca de 80% das vinhas são compostas por castas autóctones. O território vínico italiano inclui 333 denominações DOC, 77 DOCG e 119 IGT.
O enoturismo foi também um dos temas abordados, com destaque para o crescimento consistente desta área. Segundo os dados apresentados, 77% dos produtores italianos investem já no enoturismo e, em 2024, o país recebeu cerca de 15 milhões de visitantes ligados a esta atividade. Cotarella sublinhou ainda a importância económica do setor, o peso do consumo interno e as novas tendências de mercado. Apesar da diminuição global do consumo de vinho, observou-se um crescimento no consumo de vinhos brancos tranquilos e de espumantes, em parte influenciado pelas novas preferências dos consumidores e pelas campanhas associadas a estilos de vida mais saudáveis.
Uma prova pela diversidade italiana
Seguiu-se a prova, através da qual Riccardo Cotarella apresentou a sua visão da Itália vínica, com uma seleção de alguns dos grandes vinhos brancos e tintos do país, representativos de diferentes regiões, estilos e identidades.
Nos brancos, foram provados Jermann Vintage Tunina 2022, Terlano Quartz 2024 e Castello della Sala Cervaro 2024. Nos tintos, a seleção incluiu Castello di Ama Chianti Classico San Lorenzo 2021, Casanova di Neri Brunello di Montalcino Tenuta Nuova 2020, Famiglia Cotarella Montiano 2021 e Montevetrano 2022.
Foi uma prova eclética e muito reveladora da riqueza italiana, reunindo referências reconhecidas internacionalmente e vinhos capazes de mostrar diferentes interpretações de território, casta, tradição e modernidade.



A colaboração entre Cotarella e Amorim
A colaboração entre Riccardo Cotarella e o universo vínico de Luísa Amorim estende-se às três propriedades do grupo: Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro, Taboadella, no Dão, e Herdade Aldeia de Cima, no Alentejo.
Considerado um dos enólogos italianos mais reconhecidos e influentes no mundo, Cotarella passará a trabalhar em estreita ligação com as equipas de viticultura e enologia de cada propriedade. No Douro, a colaboração será feita com os enólogos António Bastos e Eduardo Leite, da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo; no Dão, com Rodrigo Costa, da Taboadella; e, no Alentejo, com António Cavalheiro, da Herdade Aldeia de Cima.
Embora Portugal e Itália sejam dois universos enológicos distintos, há muito que os aproxima: a forte identidade vínica das suas populações, a diversidade de castas e territórios, a cultura do vinho à mesa e a ligação profunda entre vinho e gastronomia local.
Em Portugal, Riccardo Cotarella encontrou uma atenção rigorosa ao detalhe e ao saber-fazer de cada região. Cada propriedade conta com profissionais experientes, profundamente conhecedores dos seus territórios e dedicados a uma viticultura de precisão, com especial atenção às microparcelas e às castas portuguesas.
Mais do que uma colaboração técnica, esta ligação representa um encontro entre gerações, geografias e formas de entender o vinho. Uma aliança cultural e humana que reforça o papel de Portugal no mapa mundial dos grandes vinhos.













