Coutale Portugal: O parceiro “silencioso” que está a transformar o merchandising do vinho
Da garagem às novas instalações ampliadas, a Coutale Portugal tornou-se uma peça estrutural no ecossistema vitivinícola ibérico. Com uma aposta firme na personalização de acessórios, tecnologia de precisão e relações de proximidade com produtores, a empresa reclama hoje um papel decisivo na construção da imagem das marcas de vinho, um trabalho discreto, mas com um profundo impacto.
Texto: Zita salvador | Fotografias: Ernesto Fonseca | in revista Paixão Pelo Vinho ed. 100
Num setor onde a tradição pesa tanto quanto a inovação, a Coutale Portugal encontrou um espaço próprio: o de mediador técnico e criativo entre os produtores de vinho e as ferramentas que utilizam para comunicar com o mercado. A empresa nasceu com uma ambição simples, mas disruptiva, substituir o merchandising barato e indiferenciado por acessórios duráveis, funcionais e estéticamente cuidados, que reforçam a imagem premium do vinho português.

A ideia fundadora sempre foi introduzir inovação funcional e qualidade num setor que, historicamente, para preencher as suas necessidades de merchandising, recorria maioritariamente à indústria dos brindes publicitários mais tradicionais, muito mais vocacionados para trabalhar em cima de fatores como o preço, grandes quantidades e, invariavelmente, com materiais e formas de produção menos atentas à qualidade.
“O nosso objetivo é dar o nosso ‘humilde’ contributo para catalisar a imagem premium do setor, através da produção e personalização de acessórios de vinho, enquanto ferramentas de merchandising, com qualidade, a preços acessíveis, em tempo útil e produzidos numa filosofia onde cada peça que entra na máquina para ser personalizada é única e importante”, indica Artur Jorge Pereira, sócio gerente da Coutale Portugal.
E acrescenta a “montante (e a jusante) apostamos tudo na proximidade e na prontidão com que nos relacionamos com os nossos clientes”.
Os saca-rolhas Coutale, em primeiro lugar, “são genuínos Coutale Sommelier”, desenhados pelo enólogo francês Philippe Bernède, também produtor de vinho já com algumas gerações de história. O mecanismo técnico com patentes francesas (nomeadamente os modelos de duplo apoio), literalmente conquistaram o mundo. Facto comprovado pela quantidade de cópias “não originais” que vemos por todo o lado.
Os saca-rolhas Coutale combinam durabilidade, resistência, design e ergonomia e, não menos importante, uma área de impressão muito generosa. Ou seja, a área disponível para impressão do logotipo dos clientes é relativamente grande, o que permite legibilidade e eficiência na comunicação.
Fornecer e personalizar todo o tipo de acessórios de vinho
Se no início a Coutale significava a própria existência da empresa, hoje já não é assim. Houve tempos em que a fatia dos saca-rolhas no resultado do exercício da empresa era esmagadoramente majoritária. “O saca-rolhas Coutale foi a nossa âncora durante o primeiro ano de atividade. Nos tempos em que o nosso armazém era uma garagem e que era necessário manter dois empregos. Tempos em que os fins de semana eram passados nesse espaço a embalar e desembalar, a arrumar. Em que as noites eram vividas a fazer maquetes e a preparar orçamentos até altas horas da noite (por vezes da madrugada)”, relembra Artur Jorge Pereira, sócio gerente da Coutale Portugal.

Hoje já não é assim. O tempo é dedicado em absoluta exclusividade e a venda de saca-rolhas representa agora cerca de vinte por cento da faturação, fruto da introdução no portfólio de todo o tipo de acessórios de vinhos e respetiva tecnologia de personalização. “Hoje podemos dizer que conseguimos fornecer e personalizar todo o tipo de acessórios de vinho”. Da restauração aos produtores, passando por hotéis e sommeliers, a personalização de acessórios tornou-se uma linguagem fundamental do setor.
Saca-rolhas, copos, anéis anti-gota, champanheiras ou uniformes são hoje extensões tangíveis de uma marca. Por isso, não é de estranhar que António Sanches, igualmente sócio gerente da Coutale Portugal assuma que o impacto deste serviço “é absoluto”. Essa é, aliás, a essência do negócio. “Digamos que a Coutale é um ator discreto, mas estruturante, na medida em que fornece as ferramentas de merchandising para quem produz, apresenta, serve ou comercializa o vinho.
Inclui-se aqui uma infraestrutura de apoio e aconselhamento sobre que produto ou que tipo de personalização melhor serve cada cliente em cada situação ou projeto de comunicação (ou de retenção dos seus clientes). É um papel discreto, mas bastante estruturante para uma cadeia de valor que depende de detalhes”.
Tecnologia avançada, foco nas pessoas
O parque tecnológico da Coutale inclui praticamente tudo o que o mercado pode oferecer, desde três tipos de tecnologias de laser, serigrafia, tampografia, impressão UV, entre outras.

Mas a empresa insiste que a verdadeira diferença não está nas máquinas, mas em quem as opera. “É nesse ponto que reside o nosso foco. Formar e educar a pessoa que está na máquina. Na nossa equipa queremos um ‘mindset’ de procura pelo conhecimento, pelo domínio da máquina e de tudo aquilo que ela nos pode oferecer. Cultivamos a cultura do ‘ir mais além e melhor’ de cada vez que se faz, a cada peça que se grava ou se imprime”, salienta António Sanches.
Nos processos de impressão há também um investimento muito avultado na qualidade das tintas e dos catalisadores utilizados, algo que tem um impacto significativo na qualidade, durabilidade e resistência da impressão, garantem os responsáveis.
Já no que diz respeito ao tipo de produtos nota-se cada vez uma procura pela diversidade. “Temos clientes que acabam uma campanha que envolve, por exemplo, milhares de anéis anti-gota e no mês seguinte estão a apostar em copos ou frappés personalizados para campanhas de retenção de clientes da restauração. Essa é a dinâmica que nos temos esforçado por acompanhar”, indica Artur Jorge Pereira.
O mercado procura hoje variedade e soluções mais ecológicas. O laser ganha terreno por dispensar tintas, embora a impressão tradicional continue a ser necessária para determinados materiais.
A inauguração recente de instalações ampliadas não só aumentou a capacidade de armazenamento, como permitiu adquirir maquinaria mais pesada e criar espaços essenciais como showroom e refeitório. A “melhoria das condições de trabalho” foi, aliás, um dos principais motores do investimento.
Com mais espaço, a empresa consegue agora comprar maiores quantidades de stock, negociar melhores preços e garantir prazos mais curtos. Mais espaço possibilitou também a chegada de uma máquina de corte e gravação a laser que pesa 400 Kg e que ocupa uma área significativa.

Merchandising é hoje determinante para a retenção de clientes
O merchandising é hoje determinante para a retenção de clientes e para o lançamento de novos rótulos, sobretudo nas gamas médias e de entrada, onde a notoriedade é decisiva. “São vinhos que se querem de grande consumo e por isso requerem uma notoriedade de marca constante. Nos vinhos nobres, de gamas mais altas, há necessidades semelhantes, mas são normalmente acessórios mais premium em quantidades inferiores para serem utilizados em mercados de nicho, em ambientes mais exclusivos e no trabalho comercial junto da restauração”.
Em suma, tendo em conta aquilo que diz respeito à Coutale e à sua necessidade de prontidão, o “desafio principal está em conseguir manter a boa resposta às necessidades de merchandising dos produtores”.
Se no passado a empresa começou pelos produtores, procurando entender as suas necessidades e estabelecendo parcerias sólidas, hoje, discutem ideias, fazem amostras e definem parcerias. “Temos ideias estratégicas de expansão para novos mercados, mas isso neste momento está a ser feito ainda no segredo dos deuses.
Uma coisa é certa: será feito de forma a que jamais belisque o que tão arduamente temos vindo a conseguir. Temos consciência que a capacidade instalada de produção da Coutale seria proveitosa quando aplicada a outros mercados, mas gostamos de pensar e avançar com convicções já estabelecidas”, assumem os responsáveis.
DropStop e o valor da qualidade
Questionados se planeiam aumentar o portfólio de marcas representadas ou reforçar exclusividades, como no caso da DropStop, os sócios gerentes adiantam que “tudo depende das garantias de qualidade e fornecimento”. A DropStop é um símbolo de qualidade no caso dos anti-gota. O mesmo acontece com os saca-rolhas Coutale nesse produto específico. Semelhante para os “nossos” frappés, champanheiras, copos, entre outros.


“O produtor que aposta em qualidade faz sobre si mesmo um ‘statement’ de superioridade face aos demais concorrentes. Quem aposta em querer produtos originais de qualidade comprovada, obviamente que se destaca de quem oferece merchandising de ‘marca branca’. A nós compete-nos facilitar a vida dos clientes que apostam em produtos originais com uma qualidade que dignifique o seu produto”, frisa Artur Jorge Pereira.
Em suma, a Coutale Portugal quer ocupar esse espaço de fornecedor técnico premium que melhora o serviço, profissionaliza a experiência e fortalece a imagem de qualidade do setor vitivinícola português. É um elemento silencioso, mas que reforça a infraestrutura e a cultura do vinho no seu conjunto e que atua como facilitador da relação entre os produtores e os seus clientes.
“Se há espaço para crescer, claro que sim! Até porque de um modo geral o vinho português é do melhor que se faz no mundo. O crescimento deste cluster é mais uma tarefa dos produtores. Estamos confiantes que estes vão continuar a fazê-lo bem. O que podemos dizer é que a Coutale fará certamente a sua parte. Ou seja, estaremos atentos, disponíveis, dispostos, colaborantes e prontos para os projetos e desafios dos nossos clientes”, asseguram.
Quanto ao futuro, ideias não faltam. “Algumas por razões óbvias ainda é cedo para anunciar”. Outras já estão em marcha como por exemplo o início da abordagem Business to Consumer, visto que até agora o negócio tem sido apenas com empresas. “Está na altura de começar a vender saca-rolhas, champanheiras, copos e demais produtos personalizados ao consumidor final”, esclarece António Sanches.
A nível tecnológico estão empenhados em manterem-se atualizados, nesta fase mais numa perspetiva de duplicar a capacidade de produção. Ou seja, querem até final do primeiro trimestre ter todas as máquinas duplicadas. Assim não há fila de espera na produção.

Texto: Zita salvador | Fotografias: Ernesto Fonseca













