Enoturismo português celebrou os melhores numa noite de festa
O Prémio Nacional de Enoturismo voltou a reunir projetos e profissionais que representam a crescente qualidade de um setor em clara afirmação em Portugal. Na Quinta Condes de Valadares, em Loures, vivi uma noite de reconhecimento, partilha e celebração, onde 16 categorias mostraram a diversidade do enoturismo nacional. A Azores Wine Company conquistou a distinção maior, como Melhor Enoturismo de Portugal, numa gala que terminou como as boas celebrações devem terminar: com música, festa e muitos brindes.
Texto: Maria Helena Duarte | Fotografias: Apeno / Azores Wine Company
Há noites que são muito mais do que uma cerimónia de entrega de prémios. São momentos de encontro, de reencontros e de conversas entre pessoas que partilham a mesma paixão e, sobretudo, oportunidades para perceber como um setor está a crescer. Foi assim que vivi mais uma edição do Prémio Nacional de Enoturismo, organizado pela APENO – Associação Portuguesa de Enoturismo.
A Quinta Condes de Valadares, em Loures, revelou-se uma escolha particularmente feliz. A beleza e o carácter histórico do espaço ajudaram a criar o ambiente elegante, mas descontraído, que acompanhou toda a noite. Com o apoio da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa e da Câmara Municipal de Loures e o alto patrocínio da Presidência da República, a gala foi também uma oportunidade para mostrar o potencial de Loures e da região de Lisboa enquanto destinos ligados ao vinho e ao enoturismo.

Apresentada por Rodrigo Gomes, da RFM, a cerimónia juntou produtores, profissionais do vinho e do turismo, empresas e entidades. E mais do que assistir à sucessão de vencedores, foi interessante sentir na sala a dimensão que o enoturismo adquiriu em Portugal. Já não falamos apenas de visitar uma adega e provar alguns vinhos. Falamos de hospitalidade, gastronomia, arquitetura, cultura, alojamento, sustentabilidade, tecnologia e experiências capazes de justificar, por si só, uma viagem.
Um país de experiências vínicas
Os prémios deste ano voltaram a demonstrar precisamente essa diversidade, com 16 categorias e vencedores provenientes de diferentes geografias e áreas de atuação.
A Azores Wine Company conquistou a distinção maior da noite, sagrando-se Melhor Enoturismo de Portugal. A Madeira Wine Company venceu como Melhor Enoturismo Urbano e a Quinta do Pôpa recebeu o prémio de Melhor Projeto Familiar. Vera Magalhães, da João Portugal Ramos, foi distinguida como Melhor Profissional e a Herdade do Sobroso venceu na categoria Melhor Estadia.

Na gastronomia, o JNcQUOI foi eleito Melhor Restaurante e Cintia Koerper e Joachim Koerper, da Herdade da Malhadinha Nova, receberam o prémio de Melhor Chef de Cozinha. Sandra Reis, da Sala de Prova, foi distinguida como Melhor Sommelier, enquanto a Sala Vintage da Graham’s, da Symington, conquistou o prémio de Melhor Sala de Provas.
A Vila Galé recebeu a distinção de Melhor Empresa de Turismo, a AdegaMãe venceu como Melhor Projeto Inclusivo e a Casa do JOA como Melhor Projeto Sustentável. A Casa Ermelinda Freitas conquistou o prémio de Melhor Loja, a Bacalhôa – Aliança Underground Museum venceu em Arte e Cultura, a Casa Museu Interativa de Borba foi distinguida em Inovação e Tecnologia e a Torre de Palma recebeu o prémio de Melhor Hospitalidade.
A APENO reconheceu ainda Helena Dimas, da ODE Winery, com o prémio Mérito e Incentivo Pessoa, enquanto a Honrado Vineyards recebeu o prémio Mérito e Incentivo Projeto.
Um retrato bastante completo de um enoturismo português que cresce não apenas em número de projetos, mas sobretudo na diversidade e qualidade das experiências que oferece.
Dos Açores chegou o grande vencedor
A eleição da Azores Wine Company como Melhor Enoturismo de Portugal foi um dos grandes momentos da noite e levou até Loures a singularidade de um projeto construído numa das mais extraordinárias paisagens vínicas portuguesas.
Criada oficialmente em 2014 por António Maçanita e Filipe Rocha, a Azores Wine Company nasceu de um trabalho de recuperação de vinhas abandonadas e valorização das castas açorianas. Depois de contribuir para reposicionar os Açores no mapa do vinho, o projeto ganhou, em 2021, uma nova dimensão, reunindo adega, provas, gastronomia e alojamento em plena Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, Património Mundial da UNESCO.

No restaurante Latitude, recentemente distinguido com o primeiro Sol do Guia Repsol, o chef Rui Batista propõe uma cozinha açoriana contemporânea, complementando uma experiência que permite provar os vinhos, conhecer a extraordinária viticultura do Pico e até dormir entre os característicos currais de pedra vulcânica.
Para Judith Martin, diretora de Enoturismo da Azores Wine Company, o galardão reconhece o esforço de toda a equipa e assume um significado ainda maior perante os desafios de desenvolver um projeto desta dimensão numa pequena ilha e longe dos principais centros.

Uma distinção que mostra também como a distância pode transformar-se em singularidade quando existe identidade, visão e capacidade para criar uma experiência verdadeiramente ligada ao lugar.
Muito mais do que visitar uma adega
Ao longo da noite ficou evidente que o enoturismo português deixou definitivamente de ser uma atividade complementar à produção de vinho.
É hoje uma poderosa ferramenta de valorização dos territórios, capaz de gerar economia, prolongar estadias, criar emprego e aproximar quem nos visita da gastronomia, da cultura, da paisagem e do património. Tem ainda uma vantagem extraordinária: leva as pessoas a lugares onde talvez nunca chegassem por outras razões.
Maria João de Almeida, presidente da APENO, destacou precisamente a crescente qualidade dos projetos candidatos e a diversidade de regiões representadas, considerando esta evolução um sinal da maturidade e capacidade de inovação do setor.


E depois dos prémios… a festa
Porque reconhecer o trabalho de quem dedica os dias a receber, criar experiências e proporcionar bons momentos aos outros também merece ser celebrado, a noite não terminou com a entrega do último prémio.
Seguiu-se a after party, com o DJ André Vieira, e a formalidade da gala deu lugar à música, à dança, às conversas prolongadas e, naturalmente, aos brindes. Afinal, uma boa celebração tem de acabar em festa.
Saí da Quinta Condes de Valadares com a sensação e com a certeza de que o Prémio Nacional de Enoturismo está cada vez maior, mais representativo e mais consolidado. Parabéns à APENO, à organização e, naturalmente, a todos os vencedores. O enoturismo português tem muito para celebrar – e ainda mais para conquistar.
Maria Helena Duarte
Faz do vinho uma missão. É provadora e crítica de vinhos, a nível nacional e internacional, e membro da FIJEV. No Diário de Notícias lançou a revista Beberes e em 2006 fundou a revista Paixão Pelo Vinho, um desafio que perdura desde então fruto de muita determinação, trabalho de equipa e, claro, muita paixão. Quando não está a provar vinhos, está a escrever, a organizar eventos e dar vida a novos projetos. É Confrade de Honra da Confraria Enófila N.ª S.ª do Tejo, da Confraria Gastronómica das Tripas à Moda do Porto e da Confraria da Cerveja, reafirmando com orgulho as suas três paixões: vinho, gastronomia e cerveja.













