Portugal passa a celebrar oficialmente o Dia Nacional da Vinha e do Vinho
O Governo instituiu oficialmente o Dia Nacional da Vinha e do Vinho, que será celebrado todos os anos a 31 de julho. A medida foi formalizada através do Despacho n.º 9616/2026, hoje publicado em Diário da República, e representa um reconhecimento do valor histórico, cultural, económico, social e ambiental de um dos setores mais emblemáticos de Portugal.
Portugal passa, a partir deste ano, a assinalar oficialmente o Dia Nacional da Vinha e do Vinho, uma nova efeméride criada pelo Despacho n.º 9616/2026, publicado hoje, 30 de julho, em Diário da República.
A decisão do Ministério da Agricultura e Mar pretende reconhecer o papel determinante que a vinha e o vinho desempenham na identidade nacional, na economia, na cultura, na paisagem e na preservação de tradições que atravessam gerações.
No despacho, o Governo recorda que a vinha e o vinho acompanham a formação de Portugal enquanto Estado-nação e constituem parte inseparável da sua identidade civilizacional. O vinho é igualmente destacado como um dos pilares simbólicos da mesa portuguesa e da Dieta Mediterrânica, reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
O documento sublinha ainda a singularidade do património vitícola nacional, caracterizado pela riqueza das castas autóctones, pela diversidade das regiões vitivinícolas e pela existência da mais antiga região demarcada do mundo, o Douro, criada por alvará régio em 1756.
Além da dimensão histórica e cultural, o Governo destaca o peso estratégico da fileira vitivinícola na economia portuguesa. Atualmente cultivada em cerca de 170 mil hectares, a vinha contribui para a criação de riqueza e emprego, sobretudo nas regiões do interior, assume uma forte vocação exportadora e desempenha um papel fundamental na valorização da paisagem, na preservação da biodiversidade e na afirmação internacional de Portugal. O crescimento do enoturismo é igualmente referido como um dos reflexos da vitalidade do setor.

A escolha da data de 31 de julho reveste-se também de um forte simbolismo. Foi precisamente nesse dia, em 1986, que o Conselho de Ministros aprovou o Decreto-Lei n.º 304/86, diploma que criou o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), entidade responsável pela coordenação e salvaguarda da fileira vitivinícola nacional. Em 2026 assinalam-se igualmente os 40 anos da criação daquele organismo.
Nos termos do despacho, caberá ao Instituto da Vinha e do Vinho, I. P. dinamizar e coordenar, em articulação com as restantes entidades públicas e privadas do setor, as iniciativas de celebração e divulgação do Dia Nacional da Vinha e do Vinho.
A criação desta nova efeméride representa um reconhecimento institucional há muito aguardado por um setor que continua a desempenhar um papel essencial na economia, na cultura, no território e na projeção internacional de Portugal. Mais do que celebrar um produto, o Dia Nacional da Vinha e do Vinho homenageia todos aqueles que, diariamente, preservam um património único e contribuem para afirmar Portugal como um dos grandes países vitivinícolas do mundo.
Maria Helena Duarte
Faz do vinho uma missão. É provadora e crítica de vinhos, a nível nacional e internacional, e membro da FIJEV. No Diário de Notícias lançou a revista Beberes e em 2006 fundou a revista Paixão Pelo Vinho, um desafio que perdura desde então fruto de muita determinação, trabalho de equipa e, claro, muita paixão. Quando não está a provar vinhos, está a escrever, a organizar eventos e dar vida a novos projetos. É Confrade de Honra da Confraria Enófila N.ª S.ª do Tejo, da Confraria Gastronómica das Tripas à Moda do Porto e da Confraria da Cerveja, reafirmando com orgulho as suas três paixões: vinho, gastronomia e cerveja.













