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Região de Lisboa tem “uma oferta de enoturismo fortíssima” destaca Carla Salsinha, em entrevista à Paixão Pelo Vinho

No âmbito do evento Lisbon Urban Wine Tourism, uma iniciativa promovida pela Entidade Regional de Turismo de Lisboa (ERT-RL), conversámos com a presidente deste organismo, Carla Salsinha, sobre os desafios existentes na região e a importância crescente do enoturismo.

in Ed. 100, Revista Paixão Pelo Vinho | Texto de Mafalda Freire | Fotografias ERT-RL / DR / APENO

Qual é a missão da ERT-RL?

A Entidade Regional de Turismo de Lisboa é uma entidade pública, constituída pelos 18 municípios da região de Lisboa e por 18 associações privadas ligadas ao sector do turismo como a AHP, a APAVT, a APECATE e a ARAC. Temos duas missões, em que a primeira é estruturar e preparar produtos turísticos que possam divulgar a região, sejam eles de gastronomia, de enoturismo, surf, ligados ao desporto, entre outros. E o segundo papel é a promoção externa no mercado espanhol e não só no mercado interno, ou seja, promover a região como um destino de visitação.

Estamos debaixo da tutela da Secretaria de Estado do Turismo e do Turismo de Portugal e a projeção a nível mundial do turismo, quer da região quer de Portugal, tem sido esse trabalho sempre conjunto feito entre privados e público e uma estratégia comum.

Quais são os maiores desafios da região de Lisboa enquanto destino turístico?

Um dos maiores desafios da região é que 86% do turismo está concentrado em 4 municípios, ou seja, Lisboa, Cascais, Sintra e Oeiras, e os outros 14 municípios têm apenas os restantes 14% de turismo. O maior desafio é fazer com que os turistas que se concentram maioritariamente nestes 4 municípios também passem a conhecer e a visitar os outros municípios; é fazer uma distribuição mais equitativa do turismo até para que as próprias populações se sintam também incluídas, porque o turismo tem como um dos principais objetivos, promover, apoiar e criar sustentabilidade social e económica dos locais.

Outro dos desafios e, que se prende com o primeiro, é a mobilidade. Não é fácil um turista chegar, por exemplo, de Lisboa a Sintra e hoje cada vez mais, quer seja o turismo interno ou externo, as pessoas gostam de viajar nos transportes públicos e de conhecer, fazer um circuito que as populações fazem. Em termos de mobilidade, há um grande desafio na nossa região, mas acima de tudo acho que o maior desafio, e foi esse que assumimos e estamos a consegui-lo, é criar uma dispersão turística mais homogénea entre os nossos 18 municípios.

O enoturismo tem ganho relevância a nível nacional e cada vez uma maior oferta. Como é que se situa a região de Lisboa neste segmento?

O enoturismo de facto é um produto que tem vindo a ser procurado a nível nacional e na região estamos numa fase um pouco inicial porque de facto a nossa região ainda não é conhecida neste domínio. Se pensarmos no Douro, no Norte e parte do Alentejo, pensamos muito em vinho na região de Lisboa, apesar de ter duas comissões vitivinícolas bastante conhecidas, a de Lisboa e a de Setúbal, com vinhos muito conhecidos, ainda não tem este produto muito desenvolvido. O que temos feito é estar nos certames lá fora, levar estas câmaras que que mostrem o que estão a fazer em termos de enoturismo, porque aquilo que podemos fazer como entidade regional é ajudar e alavancar a promoção. Quando vamos às feiras à Espanha, ajudamos a que os municípios, as empresas e as associações que nos acompanham estejam muito focados neste produto do enoturismo.

Que iniciativas é que a ERT-RL tem ou está a preparar ligadas ao enoturismo?

Em 2026 vamos estar focados num projeto que é pioneiro para desmistificar o enoturismo urbano, ou seja, lá por termos uma região que está muito concentrada na capital do país, temos muito enoturismo. Temos adegas fantásticas e temos vinhos excecionais como o de Colares e Carcavelos, por exemplo, um dos melhores vinhos licorosos nacionais, já para não dizer europeu, que está a ser reconhecido mundialmente, e que a própria adega está no centro da vila. Apesar de toda a região estar muito centrada na capital, temos aqui uma oferta de enoturismo fortíssima. Temos a Aldeia Vinhateira Fernando Pó e estamos a tentar também criar com eles, em 2026, um evento de enoturismo que seja demonstrativo da qualidade do que ali se faz. Basta dizer que é lá que se situa uma das nossas adegas mais premiadas, a Casa Ermelinda Freitas. Portanto, aquilo que estamos a tentar apostar é em criar eventos que venham a demonstrar a oferta da nossa região. Há muito turismo interno e estamos a beneficiar muito dos portugueses quererem vir conhecer a nossa região. Estes turistas do Norte e Centro estão muito à procura deste tipo de turismo. O objetivo de participarmos em eventos e de promovermos este evento do Lisbon Urban Wine Tourism é mostrar aquilo que se pode visitar da região relativamente ao enoturismo. Esta é a primeira edição e espero que se faça, em 2026, outra com muito maior dimensão. Quanto a Fernando Pó, vamos agora, com a Câmara Municipal e com as adegas, começar a preparar para que possamos fazer também um evento diferenciador. Temos produtores excecionais, estão a surgir os primeiros enoturismos e é preciso dar conhecimento para que também as próprias empresas, os próprios produtores, as próprias adegas invistam na qualidade e apostem na diferença. Temos de estar aqui e ser os dinamizadores destes projetos.

Que ferramentas é que a ERT-RL dispõe em termos de apoios ao enoturismo?

A Entidade Regional tem dois produtos. Um é o Portugal Events que é um financiamento para projetos com uma dimensão maior, que podem ter investimento até aos 400 mil euros e um financiamento a fundo perdido de até 30%. Depois temos outro que a única região que tem é a de Lisboa e foi desenvolvido por nós e que são os planos de comercialização e venda, que tem um limite máximo são 30 mil euros. Estes são mesmo para micro ou pequenas empresas e produtores, seja para que área for, que queiram investir principalmente nas zonas menos turisticamente desenvolvidas e em que têm um apoio a fundo perdido até 60%.

Estes dois são diretamente decididos e apresentados à ERT-RL.

Por exemplo, para projetos de pequenos enoturismos, o plano de comercialização e vendas pode ser, porque é muito mais expedito e tem um processo mais simples, uma grande forma de financiamento. Portanto aquilo que pedimos é que as empresas e produtores venham ter connosco, que divulgamos, explicamos e estamos aqui para os apoiar.

Como é que veem a evolução do turismo na região de Lisboa?

O turismo vai continuar a crescer. Isso não tem a ver com a região ou com o país, é global e são os próprios dados estatísticos da Organização Mundial do Turismo que o dizem. Cada vez mais e porque o nosso nível de vida melhorou, podemos começar a viajar pelo mundo mais cedo e depois a própria COVID, que foi um momento difícil, fez-nos querer usufruir da vida e conhecer mais. E isto levou a uma das coisas mais curiosas que temos vindo a ver, a nível nacional cada vez temos mais portugueses a quererem conhecer o seu país e as diferentes regiões. O turismo interno está, de ano para ano, a crescer em todas as regiões, o que é uma enorme satisfação. 

Quais é que são as vossas prioridades estratégicas para os próximos anos?

Primeiro é fazer esta gestão mais equilibrada do turismo em conjunto com as autarquias dos dois municípios mais complexos em termos de habitação e mobilidade, que são Lisboa e Sintra. Estes são dois concelhos em que temos de ter algum cuidado, mas acima de tudo a estratégia como entidade do turismo é promover outras realidades desconhecidas da região de Lisboa, como por exemplo, o enoturismo, o turismo náutico e da natureza. Temos cinco áreas classificadas, por isso temos um património classificado mundialmente, único, que nos permite promover a região de Lisboa. Em setembro, a Serra da Arrábida foi classificada como Reserva da Biosfera da UNESCO, já para não falar na Tapada de Mafra ou nas Salinas do Samouco. A nossa aposta é promover produtos diferentes e fazer com que as pessoas conheçam a região de Lisboa noutra áreas como na gastronomia, já que temos uma região que tem uma diversidade brutal. Somos uma região com um elevado número de estrelas Michelin, depois temos as tabernas, os restaurantezinhos únicos e diferenciados em determinadas zonas e os festivais de gastronomia, que têm uma duração bastante grande que demonstra a procura.

Mas essencialmente aquilo em que o turismo tem que apostar, que é uma das definições do Ministério da Economia e que Secretário de Estado do Turismo mais foca, é em valorizar as populações e o bem-estar de quem vive nas localidades. Acima de tudo temos de construir um turismo que seja cada vez mais sustentável social e economicamente e que valorize e dê melhor qualidade de vida às populações locais.

O turismo é a indústria da paz porque nos leva a compreender e aceitar as diferenças e tem também de ser o que vai ajudar a melhorar a vida das populações. E isso é possível porque somos o único setor completamente transversal. Quando olhamos para um hotel e quais são os setores que vão fornecer aquele hotel, temos de tudo, desde o setor terciário, ao setor secundário, ao setor primário, ou seja, todos os setores estão envolvidos. Somos totalmente transversais e com o nosso crescimento e esta responsabilidade podemos fazer alavancar os outros setores da economia também.

Qual é a mensagem que gostaria de deixar aos profissionais do setor do vinho, enquanto a entidade do turismo, e aos visitantes que escolhem a região de Lisboa?

Como entidade regional do turismo estamos aqui para vos ajudar a alavancar a vossa atividade. Cabe-nos criar as condições para que vocês façam o papel que têm de fazer. Essa é a nossa função e estamos cá para ajudar, contactem a entidade regional do turismo quando têm dificuldades e problemas.

A quem visita a região, é que o desfrute porque esta é uma região com uma diversidade brutal de oferta em que podemos ter desde a cidade cosmopolita, que é Lisboa, à ruralidade e tradição mais no interior. Somos uma região com uma oferta muito diversificada e estamos cá para os receber de braços abertos e lhes dar a conhecer o que de bom há na região de Lisboa.

A revista Paixão Pelo Vinho provou e classificou, em 2019, mais de mil vinhos em prova cega. Os vinhos e espumantes que se destacaram pelas sedutoras características sensoriais, foram oficialmente premiados, recebendo as distinções “Paixão Pelo Vinho Prestígio”, Paixão Pelo Vinho Excelência” e “Paixão Pelo Vinho Escolha”. O evento realizou-se no passado dia 7 de março e foi partilhado pelos leitores e apreciadores de vinhos, que puderam participar, aplaudir, provar, aprender e brindar! 

O ponto alto de todas as publicações especializadas é sempre o dia em que se festeja o setor, que recebe todas as atenções durante o ano, e se entregam os prémios aos melhores. Assim aconteceu, também, com a revista Paixão Pelo Vinho que, no passado dia 7 de março, juntou produtores e enólogos, para entregar os prémios aos melhores vinhos e espumantes, provados no decorrer de 2019, e celebrar numa festa vínica, que juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa. 

O evento contou com a presença de uma seleção de premiados, que estiveram a dar a conhecer os seus vinhos, incluindo alguns convidados como Raríssimo By Osvaldo Amado, Quinta do Gradil e Enoport Wines, que aproveitaram a altura para fazer uma apresentação dos seus novos vinhos. Outro ponto alto do evento foi o ciclo de “Conversas com os Enólogos”, num espaço que esteve sempre esgotado e proporcionou a prova comentada de vinhos especiais, apresentados pelos seus enólogos.Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 

A festa vínica juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.
PAIXÃO PELO VINHO PRESTÍGIO

O prémio Paixão Pelo Vinho “Prestígio”, coube a oito produtores. Entre eles, três vinhos tintos, todos DOC Douro: Costa Boal Homenagem Douro tinto Grande Reserva 2011, da Costa Boal Family Estates; Quinta da Manoella Vinhas Velhas tinto 2016, da Wine & Soul; e Quinta da Oliveirinha Vinha Franca tinto (Touriga Franca) 2013, produzido pela família Alves de Sousa. 

Apenas um vinho branco ganhou “Prestígio”, foi o Terrantez do Pico, com Indicação Geográfica Açores, da colheita de 2018, produzido pela Azores Wine Company. 

Os Vinhos do Porto Vintage 2017 também estiveram em destaque, arrecadando quatro destes prémios mais altos: Portal, da Quinta do Portal; Croft Quinta da Roeda Serikos e Taylor’s Vargellas Vinha Velha, ambos produzidos por Quinta & Vineyard Bottlers – Vinhos; e Quinta das Lamelas, de José António da Fonseca Augusto Guedes.

PAIXÃO PELO VINHO EXCELÊNCIA

A “Excelência”, prémio equivalente às habituais medalhas de ouro, foi entregue a 44 produtores. O Douro destacou-se e veio de lá o único Moscatel premiado – Adega de Favaios Moscatel 1989. A casta Touriga Nacional esteve presente em muitos dos vinhos premiados, como o Quinta da Gricha Talhão 8 tinto 2016, da Churchill Graham. A Quinta do Noval conquistou dois prémios, com os Quinta do Noval tinto Reserva 2016 e Porto Vintage 2017. Também a Quinta da Barca foi distinguida com “Excelência” para os Busto branco Grande Escolha 2017 e tinto Grande Escolha 2016. O Secretum Arinto 2018 e, do mesmo produtor, o Lua Cheia em Vinhas Velhas tinto de Vinhas Velhas Reserva Especial 2016 também foram distinguidos com ouro. Márcio Lopes Winemaker recebeu dois prémios, um para o vinho Proibido DOC Douro tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2017 e para o Pequenos Rebentos Edição Especial Vinhas Velhas branco (Loureiro) Reserva 2018, DOC Vinho Verde. A casta Alvarinho foi premiada em duas interpretações: Dom Ponciano espumante Bruto Natural 2013 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2018. 

A Bairrada destacou-se, com dois prémios para a Adega de Cantanhede: Marquês de Marialva Edição Especial 65 Anos, tinto Garrafeira 2001, da casta Baga; e Marquês de Marialva tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2013. A região Tejo ficou bem representada, entre outros, pelos vinhos Desalmado tinto 2013 e pelo Bridão Private Collection tinto 2016, ambos da Adega do Cartaxo. 

O Scala Coeli tinto 2015, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida; o Monte da Capela 18 Anos tinto Grande Reserva 2016, da Casa Clara; e Mamoré de Borba tinto Grande Reserva 2015, da Sovibor, são bons exemplos de vinhos imperdíveis nascidos no Alentejo. 

A ilha do Pico também brilhou com o Vinha Centenária branco 2017, as Azores Wine Company. Estes são apenas alguns exemplos, entre os melhores vinhos, premiados com Excelência.

PAIXÃO PELO VINHO ESCOLHA

Os prémios “Escolha” valorizam as melhores relações qualidade-preço, foram distinguidos 16 vinhos, como Castelo D’Arez Colheita Selecionada tinto 2016 e branco 2017, da Sociedade Agrícola da Arcebispa, e os Camolas Selection branco Reserva 2018 e tinto Reserva 2017, produzidos pela Adega Camolas, todos da Península de Setúbal, região que se destacou. A lista completa com todos os premiados, pode ser consultada na próxima edição da revista Paixão Pelo Vinho, nas bancas no final de março. Pode consultar todos os premiados na página seguinte.

Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 
QUALIDADE E VALOR

Para Maria Helena Duarte, fundadora e diretora da revista Paixão Pelo Vinho, “é fundamental reconhecer a qualidade, já que os prémios para além de valorizarem os vinhos e exponenciarem a sua procura nos mercados, interno e externo, dinamizando a economia, também ajudam os apreciadores a escolher os vinhos certos para cada ocasião”. Já João Pereira Santos, diretor adjunto da publicação, destaca que “a qualidade dos vinhos portugueses está cada vez melhor, posicionando-os entre os melhores do mundo!”.

Com tantos e tão bons vinhos, não vão faltar razões para juntar família e amigos em jantares especiais, convívios, boas conversas e grandes brindes! Pode sempre ir acompanhando a seleção de vinhos através do nosso novo website: www.revistapaixaopelovinho.com.



> texto PPV > fotografia Ernesto Fonseca e Sérgio Sacoto
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