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Já Te Disse: vinhos de edição limitada que marcam pela qualidade 

Uma microprodução de vinhos com foco na qualidade era o sonho de Pedro Patrício, que se tornou realidade com a boutique winery Já te Disse. Conversámos com produtor no restaurante Ó Balcão, em Santarém, de onde é originário, sobre o conceito e a paixão por fazer vinhos de qualidade no Alentejo.

in Ed. 100 | Texto: Mafalda Freire | Fotografias: Ernesto Fonseca | Prova de vinhos: Maria Helena Duarte

A marca Já Te Disse nasceu após “uma viagem à Borgonha (França)” que o produtor fez com alguns amigos. Pedro Patrício explica que quando regressou a Portugal veio com “o sonho e a paixão de fazer um vinho que fosse em microprodução”. Estremoz, foi o local escolhido, e após a compra de um terreno “com 0,97 hectares”, plantaram, “em 2016, três castas: Petit Verdot, Alicante Bouschet e Syrah”. A herdade, situada na freguesia de São Lourenço de Mamporcão, tem solo argiloso-xistoso e as vinhas foram plantadas sob uma orientação Sudeste- Noroeste a uma altitude de 300 metros. Já a viticultura e enologia da boutique winery estão a cargo de Joachim Roque, um profissional experiente que esteve ligado ao grupo Rothschild e à produção de vinhos em regiões como Bordéus, Côtes do Rhônes Napa Valley, entre outras. 

O produtor revela como tudo começou: “Em 2021 lançámos o primeiro vinho. Foram 2800 garrafas do blend Tinto 2019, e desde aí não parámos de fazer vinhos de edições limitadas, que é o grande objetivo. São apenas 3613 videiras no total, mas conhecemos quase uma a uma, e é assim que o projeto é feito, na lógica de fazer vinhos de alta qualidade e edições limitadas, em que só engarrafamos aquilo que achamos que é extraordinário”.

— Assista à entrevista —

O vinho ligado à arte

Pedro Patrício esclarece que a ideia do nome dos vinhos deriva do cão da família: “As memórias que eu e o meu irmão temos de ir à caça com o meu avô, era, de facto, aquele era um cão de caça rafeiro muito bom, que entrava nas tocas dos coelhos. Os amigos do meu avô perguntavam:

Ó Ramiro, como é que se chama aquele teu cão?

– Já te disse.

Mas já me disseste o quê?

– Já te disse.

Eram risadas e risadas a tarde toda”.

Assim, “em homenagem à família e sobretudo ao meu avô, mas também para transpor para o vinho esta autenticidade e esta genuinidade da história do cão, registámos a marca”, acrescenta. E os rótulos dos vinhos evidenciam isto mesmo, como salienta o produtor, e contam com a participação de um ícone da arquitetura e design nacional: “No ano 2000, o arquiteto Siza Vieira ficou apaixonado por esta história e decidiu oferecer à família dois desenhos, um de cão e outro de um caçador. Registámos a propriedade intelectual e imprimimos rótulos com o cão e outros com o caçador”.

Uma gama de edições limitadas

Os vinhos “foram evoluindo” e hoje a marca Já Te Disse tem uma gama mais ampla com um rosé (Aragonez, Syrah e Touriga Nacional) que já vai “na segunda edição” e “está a correr muito bem”; um branco “monocasta Viognier de 2020” que é “um vinho muito gastronómico”; e quatro tintos: um blend das castas Petit Verdot, Alicante Bouschet e Syrah e um monocasta de cada uma delas. Pedro Patrício indica qual a estratégia usada: “Dependente do ano, onde achamos que temos barricas melhores que outras, engarrafámos monocastas só daquele ano. Por exemplo, temos o blend de 2020 e temos o Alicante Bouschet de 2020 em que engarrafamos seis barricas. Em 2021, tínhamos três barricas de Petit Verdot também muito boas, inclusive pusemos à classificação da CVRA, deram-nos a classificação Grande Reserva e os vinhos passaram a ser todos DOC Alentejo e lançámos 850 garrafas de Petit Verdot”.

Este monocasta é um vinho especial e é por essa razão que é uma edição única. “Os meus pais fizeram, no ano passado, 75 anos e em homenagem lançámos uma edição com rótulo platina, que ficou extraordinariamente bonita e chamámos One & Only porque provavelmente é a única e apenas esta vez que a fizemos. Foram três barricas excecionais de 2021”, avança Pedro Patrício.

©Ernesto Fonseca

Celebrar o Alentejo

O mais recente lançamento do produtor é um monocasta Syrah vinificado com pisa a pé e pigeage, e envelhecido 24 meses em barricas usadas de carvalho francês, seguido de 12 meses em garrafa. O resultado é um vinho que celebra o que de melhor se faz no Alentejo e que expressa bem o seu terroir.

O produtor explica o que motivou ser esta a última casta escolhida para fazer um vinho: “Este ano lançámos a última monocasta que nos faltava e que estávamos a preparar há muito tempo. É um Grande Reserva Syrah. É uma história curiosa porque já em 2020 e 2021, o enólogo e a equipa de enologia entendiam que o Syrah tinha condições para ser monocasta, só que nunca chegávamos primeiro que os pássaros. Os pássaros comíamos sempre tudo. O que fizemos em 2022 foi enganarmos os pássaros. Pusemos redes nas 12 linhas que temos da casta, eles não comeram tanto e fizemos 854 garrafas”.

Sobre a vindima de 2025, Pedro Patrício disse que “ao contrário de alguns produtores que se queixaram que na zona do Alentejo houve fraca produção”, na herdade em que se produz os vinhos Já Te Disse, tiveram “uma uva muito boa”, o que “foi uma surpresa tendo em conta as notícias da vizinhança”. O produtor indicou que a vindima “correu mesmo muito bem” e revelou os motivos: “Fizemos a quantidade de quilos de uva que queríamos fazer e achamos que o 2025 vai ser um dos melhores anos. Provavelmente só vamos provar lá para 2030, mas achamos que o 2025 vai ser um ano excecional”.

©Ernesto Fonseca

O reconhecimento mundial

Quando os vinhos começaram a ganhar algum reconhecimento, prémios e medalhas em Portugal e, “por sugestão de algumas pessoas especializadas na área do vinho”, Pedro Patrício decidiu apresentar os vinhos Já Te Disse “em concursos internacionais para provas cegas” e o sucesso foi evidente: “Fomos a concursos a Bruxelas, Londres, Paris, Austrália e temos ganho medalhas de ouro e grande ouro. O nosso Alicante Bouschet e o blend tinto que ganharam medalha de ouro e grande ouro dois anos seguidos em Bruxelas. O branco também medalha de prata em Paris e o rosé foi, no ano passado, medalha de ouro também em Bruxelas. Além disso, o produtor realça o facto de “há dois anos o Alicante Bouschet ter ganho o prémio de Excelência da revista Paixão Pelo Vinho. “É um prémio que muito nos orgulha e que fazemos sempre questão de referir É evidente que os prémios valem o que valem, mas é um reconhecimento sobretudo nacional e dos portugueses que é isso que nos interessa”.

Aposta na sustentabilidade

A sustentabilidade é um tema transversal a qualquer empresa e ainda mais no mundo dos vinhos onde as alterações climáticas podem ter um tremendo impacto. A Já Te Disse é uma marca com foco neste aspeto como evidencia Pedro Patrício: “Todos nós, que somos produtores, temos que ter essa preocupação até por causa dos nossos filhos que são as futuras gerações. Há uma preocupação grande pela sustentabilidade como um todo e não só única e exclusivamente climática. Por exemplo, há também uma atenção com a sustentabilidade económica e, por isso, as pessoas que trabalham na vinha e na adega são apenas alentejanos, ou seja, homens e mulheres daquela zona, dos concelhos de Estremoz, Borba e Vila Viçosa”.

Além disso, há cuidado com “a poupança de água” e, por isso, a “vinha foi plantada de forma gravítica”. Assim, colocam “apenas água gota a gota nas videiras de cima e depois a água acaba por chegar por absorção e não precisam de gastar mais água”. Por outro lado, há também ”uma preocupação evidente pela natureza” e tentam utilizar o menos possível produtos químicos para evitar ou para prevenir doenças” e, segundo o produtor, têm “tido a felicidade de até hoje não terem nenhum problema de doença na vinha”.

Microprodução é para manter

Pedro Patrício falou também nas perspetivas de evolução da marca e dos vinhos em que os planos estão bem definidos: “Vamos continuar a preferir a qualidade em vez da quantidade. No dia que estiver a fazer 10 mil garrafas por ano é sinal de que o propósito com que este vinho foi feito já não é o correto e por isso não faz sentido estar a fazê-lo. O propósito é sempre fazer edições limitadas e em que só se engarrafa aquilo que é de facto extraordinário”.

É por isso que para manter a qualidade há um cuidado especial na viticultura e com as vinhas. O responsável deu o exemplo desta preocupação com a monda de cachos: “Cerca de 6 semanas antes de a vindima é cortada para o chão mais 50% da produção e ficam em média só 3 cachos por cada videira. São esses que o enólogo trabalha até ao dia que decide fazer a vindima para que estejam em concentração máxima de açúcar e de cor, a acidez volátil e total estejam no ponto perfeito e sobretudo o grau. No fundo são vinhos que têm uma pouca intervenção na adega e são feitos na vinha”.

A qualidade, aliada às edições limitadas de microprodução, é o grande fator de diferenciação da gama Já Te Disse, mas há outras características que a distinguem e que Pedro Patrício quer que continuem sempre ligados à marca no futuro: vinhos que “ficam na memória e marcam as pessoas”, que “fazem lembrar os avós e as adegas”, mas igualmente com um cunho de “produção artesanal, autenticidade e de tradição” e para isso “as garrafas são todas numeradas, lacradas e com os rótulos colados à mão”.

NOTA DE PROVA

Já te disse Syrah Tinto Grande Reserva 2022

19 | Prémio Paixão Pelo Vinho Prestígio

De linda cor rubi, mostra-se limpo e brilhante. Concentrado, vai abrindo no copo para depois mostrar aromas a fruta madura do bosque e frutos pretos, tem uma nota mineral, toque terroso, cacau, tostados e especiarias. Na boca tem excelente corpo e volume, é amplo, com acidez perfeita, a fruta preta e chocolate preto entregam mais elegância ao conjunto, nota vegetal, grãos torrados, café, taninos firmes e encantadores, equilibrado o conjunto, nota de gengibre, especiado no final de boca, persistente. Talvez o melhor Syrah que já provei! MHD

©Ernesto Fonseca

Comprar os vinhos

A distribuição nacional dos vinhos Já Te Disse é assegurada pela United Drinks. Segundo Pedro Patrício, “desde o início, João Soares e Eduardo Oliveira, fundadores da empresa, perceberam a qualidade e o potencial dos nossos vinhos e, a partir daí, têm feito um excelente trabalho na sua divulgação e posicionamento no mercado”.

Os vinhos estão disponíveis na loja online da marca em www.jatedisse.com, e em várias garrafeiras a nível nacional – Club Gourmet do El Corte Inglês, Garrafeira Nacional, Soutivinhos (Minho), Vinoteca (Porto), Lamivinhos (Lamego), Ajuda (Barcelos), 5 Estrelas (Aveiro), VIP (Leiria), Trago (Pombal), PontoWine (Castelo Branco), Arinto&Touriga (Santarém), Enotria (Oeste), Divinus Gourmet (Alentejo), garrafeira Tavira (Algarve), entre outras.

©Ernesto Fonseca

Uma taberna com estrela Michelin

O produtor dos Vinhos Já Te disse escolheu a Taberna Ó Balcão do Chef Rodrigo Castelo, de quem é amigo desde criança, para falar dos seus vinhos e criar harmonizações com os pratos do restaurante que tem uma estrela Michelin. O Chef explica que “tinha o sonho de ter um restaurante” e que se dedicou à cozinha após “ter trabalho na indústria farmacêutica”, tendo aproveitado um “despedimento” para investir na sua paixão. O Ó Balcão “abriu em 2013” e sobre esta jornada de 12 anos, Rodrigo Castelo salienta que “tem sido uma caminhada muito gira, muito interessante”.  O espaço era uma “antiga taberna que funcionava desde a década de 40 e que se dividia entre o balcão e a sala de refeições” e que tem sofrido obras e algumas alterações, nomeadamente a introdução de uma cozinha aberta onde é possível ver o Chef a preparar os pratos. O nome surgiu derivado do balcão revestido a azulejo e foi pensado “em conjunto com a esposa”. Além disso, porque “em Santarém comem as palavras e não dizem ao balcão” e por isso ficou Ó Balcão.

Pedro Patricio, produtor dos vinhos Já Te Disse, e Chef Rodrigo Castelo, no restaurante Ó Balcão, Santarém | ©Ernesto Fonseca
— Assista à entrevista —

Cozinha regenerativa

“Desperdício zero, de quilómetro zero e inspiração local” é o mote da cozinha de Rodrigo Castelo e do restaurante: “Trabalhamos produtos que temos aos nossos pés, tentamos que haja um aproveitamento total e tentamos ser o máximo sustentáveis possível. Uma cozinha com muito sabor e com inspiração tradicional. Aqui o que se destaca é mesmo o produto. É o peixe do rio, é a caça, é o touro bravo. Estamos no pulmão e coração da agricultura e temos a responsabilidade de trabalhar bem os legumes, que são biológicos e de uma horta regenerativa”.

É neste ponto que há uma intersecção com a marca Já Te disse: “Faz todo o sentido harmonizarmos os nossos pratos com os vinhos do Pedro Patrício. Vinhos que eu reconheço serem de muita qualidade e feitos com muito cuidado. É muito transversal ao que é a nossa cozinha, que é origem, produto e regenerativa. Preocupamo-nos com o equilíbrio do ecossistema e o Pedro cuida muito bem da vinha, do solo e todos os detalhes até à adega e ao engarrafamento. Esse cuidado é para que o produto não perca características e não perca a identidade. A intervenção é sempre para elevar o produto”. Essa é também a filosofia do Ó Balcão e do Chef.

Uma evolução positiva

Rodrigo Castelo faz um balanço “positivo” da atividade, “com um crescimento sustentável” e diz que começaram como “uma taberna pura e dura” e foram evoluindo “para outra cozinha e na sala”. Rodrigo Castelo reconhece que “todos os dias são de constante aprendizagem e que é isso que o faz feliz”.

O Ó Balcão é um restaurante reconhecido pela sua qualidade e tem diversos prémios sendo a estrela Michelin, talvez aquele que é mais famoso pela sua importância global. O Chef e proprietário diz que conquistar esta distinção “significa muito” porque “todos os cozinheiros almejam alcançar um dia uma estrela” e que “sonhava muito” com isso. Mas destaca que “trabalhou muito” para ter este prémio e que “continua a trabalhar para manter” a estrela. 

Por outro lado, Rodrigo Castelo não tem dúvidas sobre o futuro e quer “consolidar o que têm feito até hoje”, “cozinhar com responsabilidade e sabor” e manter a “filosofia de trabalhar o quilómetro zero, o desperdício zero, ser sustentável”. Esta “torna-se viciante” e “todos os dias pensamos como é que podemos fazer mais e melhor. Estamos sempre motivados porque há sempre coisas novas a aparecer”.

Pratos excecionais para vinhos especiais

Os vinhos do produtor Pedro Patrício harmonizaram na perfeição com as iguarias idealizadas por Rodrigo Castelo para Ó Balcão. A entrada foi Taco de Javali, um prato inspirado na feijoada de javali, em que a massa é feita com puré de feijão branco, há um elemento de malagueta fermentada e a carne é cozinhada pelo Chef no fumeiro. Este prato acompanhou o Já Te Disse rosé 2024, um vinho elegante e fresco que fez sobressair o sabor intenso da carne e o picante ligeiro.

©Ernesto Fonseca

O prato de peixe escolhido foi também do menu de degustação do restaurante. O Siluro, que é o maior predador do Rio Tejo, foi curado em sal e confitado a baixa temperatura para ficar com uma textura suave. O peixe vem com uma nage, espuma feita de couve fermentada, puré de ervilhas da horta biológica do restaurante, uma salada feita com o aproveitamento das ovas e o fígado do Siluro. Tudo ligou muito bem com a frescura e acidez do Já Te Disse branco 2020.

O prato vegetariano do menu de degustação, chamado Nossa Horta, foi acompanhado do Já Te Disse Petit Verdot Grande Reserva 2021 Edição Platina One & Only e elevou a sua frescura e acidez naturais. Este é elaborado com produtos da horta biológica do restaurante e muda consoante a estação. A versão experimentada continha batata-doce, esparregado de infestantes comestíveis, um gratinado de vários tipos de beterraba unidas com creme de feijão catarino de Santarém em caldo demi-glace (feito com aproveitamento dos legumes) e ainda beurre blanc.

O pato bravo de rio, que acompanhou o Já Te Disse Alicante Bouschet, consiste em pato real maturado por 40 dias em cera de abelha e grelhado no carvão. O molho é um jus da carne feito com aproveitamento dos ossos e da pele e para acompanhar um arroz cozinhado na água dos peixes que vão sendo consumidos no menu e uma nage feita também dessa água. O Gratinado de Rabo Toiro e Cogumelos, que é o prato de carne mais antigo da carta, é um guisado em que a carne é desfiada e montada em camadas com lâminas de batatas muito fininhas. Este é acompanhado por molho de fermentado de cogumelos e um pleurotus no topo. O vinho escolhido para harmonizar foi o Já Te Disse tinto 2020, um blend, cuja complexidade conjugou com o sabor umami dos cogumelos e a riqueza da carne. Por último, a sobremesa também pertencente ao menu da degustação: pudim de abóbora e pedaços de abóbora bêbada, creme de queijo de Alcanhões, uma bolacha caseira feita à base de água, sal e queijo e algumas gotas de vinagre de abóbora. Este doce harmonizou com a complexidade do Já Te Disse Syrah Grande Reserva 2022.

Dicas do escanção

Francisco Florêncio, o sommelier do Ó Balcão, deixou algumas sugestões sobre os vinhos servidos. O Já Te Disse Syrah Grande Reserva 2022, “é um vinho muito estruturado, muito taninoso, cheio de fruta que representa bem o Alentejo” e por isso a dica de serviço é a “decantação para respirar o mais rápido possível”. Este deve ser servido, como a maioria dos vinhos tintos com mais corpo, “entre os 15 e os 16 graus”.  Por outro lado, o Já Te Disse branco 2020 e outros vinhos brancos estruturados acompanham “bempeixes, comidas ricas em acidez e carnes brancas mais leves” e ao ser um vinho do Alentejo pode ser servido a 11 graus”. O Já Te Disse rosé é o companheiro ideal para as entradas da Taberna Ó Balcão “que têm muitas especiarias e muito sabor já que é um vinho muito gastronómico”.

A revista Paixão Pelo Vinho provou e classificou, em 2019, mais de mil vinhos em prova cega. Os vinhos e espumantes que se destacaram pelas sedutoras características sensoriais, foram oficialmente premiados, recebendo as distinções “Paixão Pelo Vinho Prestígio”, Paixão Pelo Vinho Excelência” e “Paixão Pelo Vinho Escolha”. O evento realizou-se no passado dia 7 de março e foi partilhado pelos leitores e apreciadores de vinhos, que puderam participar, aplaudir, provar, aprender e brindar! 

O ponto alto de todas as publicações especializadas é sempre o dia em que se festeja o setor, que recebe todas as atenções durante o ano, e se entregam os prémios aos melhores. Assim aconteceu, também, com a revista Paixão Pelo Vinho que, no passado dia 7 de março, juntou produtores e enólogos, para entregar os prémios aos melhores vinhos e espumantes, provados no decorrer de 2019, e celebrar numa festa vínica, que juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa. 

O evento contou com a presença de uma seleção de premiados, que estiveram a dar a conhecer os seus vinhos, incluindo alguns convidados como Raríssimo By Osvaldo Amado, Quinta do Gradil e Enoport Wines, que aproveitaram a altura para fazer uma apresentação dos seus novos vinhos. Outro ponto alto do evento foi o ciclo de “Conversas com os Enólogos”, num espaço que esteve sempre esgotado e proporcionou a prova comentada de vinhos especiais, apresentados pelos seus enólogos.Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 

A festa vínica juntou mais de 1200 apreciadores de vinhos, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.
PAIXÃO PELO VINHO PRESTÍGIO

O prémio Paixão Pelo Vinho “Prestígio”, coube a oito produtores. Entre eles, três vinhos tintos, todos DOC Douro: Costa Boal Homenagem Douro tinto Grande Reserva 2011, da Costa Boal Family Estates; Quinta da Manoella Vinhas Velhas tinto 2016, da Wine & Soul; e Quinta da Oliveirinha Vinha Franca tinto (Touriga Franca) 2013, produzido pela família Alves de Sousa. 

Apenas um vinho branco ganhou “Prestígio”, foi o Terrantez do Pico, com Indicação Geográfica Açores, da colheita de 2018, produzido pela Azores Wine Company. 

Os Vinhos do Porto Vintage 2017 também estiveram em destaque, arrecadando quatro destes prémios mais altos: Portal, da Quinta do Portal; Croft Quinta da Roeda Serikos e Taylor’s Vargellas Vinha Velha, ambos produzidos por Quinta & Vineyard Bottlers – Vinhos; e Quinta das Lamelas, de José António da Fonseca Augusto Guedes.

PAIXÃO PELO VINHO EXCELÊNCIA

A “Excelência”, prémio equivalente às habituais medalhas de ouro, foi entregue a 44 produtores. O Douro destacou-se e veio de lá o único Moscatel premiado – Adega de Favaios Moscatel 1989. A casta Touriga Nacional esteve presente em muitos dos vinhos premiados, como o Quinta da Gricha Talhão 8 tinto 2016, da Churchill Graham. A Quinta do Noval conquistou dois prémios, com os Quinta do Noval tinto Reserva 2016 e Porto Vintage 2017. Também a Quinta da Barca foi distinguida com “Excelência” para os Busto branco Grande Escolha 2017 e tinto Grande Escolha 2016. O Secretum Arinto 2018 e, do mesmo produtor, o Lua Cheia em Vinhas Velhas tinto de Vinhas Velhas Reserva Especial 2016 também foram distinguidos com ouro. Márcio Lopes Winemaker recebeu dois prémios, um para o vinho Proibido DOC Douro tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2017 e para o Pequenos Rebentos Edição Especial Vinhas Velhas branco (Loureiro) Reserva 2018, DOC Vinho Verde. A casta Alvarinho foi premiada em duas interpretações: Dom Ponciano espumante Bruto Natural 2013 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2018. 

A Bairrada destacou-se, com dois prémios para a Adega de Cantanhede: Marquês de Marialva Edição Especial 65 Anos, tinto Garrafeira 2001, da casta Baga; e Marquês de Marialva tinto de Vinhas Velhas Grande Reserva 2013. A região Tejo ficou bem representada, entre outros, pelos vinhos Desalmado tinto 2013 e pelo Bridão Private Collection tinto 2016, ambos da Adega do Cartaxo. 

O Scala Coeli tinto 2015, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida; o Monte da Capela 18 Anos tinto Grande Reserva 2016, da Casa Clara; e Mamoré de Borba tinto Grande Reserva 2015, da Sovibor, são bons exemplos de vinhos imperdíveis nascidos no Alentejo. 

A ilha do Pico também brilhou com o Vinha Centenária branco 2017, as Azores Wine Company. Estes são apenas alguns exemplos, entre os melhores vinhos, premiados com Excelência.

PAIXÃO PELO VINHO ESCOLHA

Os prémios “Escolha” valorizam as melhores relações qualidade-preço, foram distinguidos 16 vinhos, como Castelo D’Arez Colheita Selecionada tinto 2016 e branco 2017, da Sociedade Agrícola da Arcebispa, e os Camolas Selection branco Reserva 2018 e tinto Reserva 2017, produzidos pela Adega Camolas, todos da Península de Setúbal, região que se destacou. A lista completa com todos os premiados, pode ser consultada na próxima edição da revista Paixão Pelo Vinho, nas bancas no final de março. Pode consultar todos os premiados na página seguinte.

Foram provados e avaliados mais de mil vinhos, espumantes e aguardentes vínicas no decorrer de 2019. Destes, um total de 68 foram premiados, com maior destaque para a região do Douro, que arrecadou 28 distinções. 
QUALIDADE E VALOR

Para Maria Helena Duarte, fundadora e diretora da revista Paixão Pelo Vinho, “é fundamental reconhecer a qualidade, já que os prémios para além de valorizarem os vinhos e exponenciarem a sua procura nos mercados, interno e externo, dinamizando a economia, também ajudam os apreciadores a escolher os vinhos certos para cada ocasião”. Já João Pereira Santos, diretor adjunto da publicação, destaca que “a qualidade dos vinhos portugueses está cada vez melhor, posicionando-os entre os melhores do mundo!”.

Com tantos e tão bons vinhos, não vão faltar razões para juntar família e amigos em jantares especiais, convívios, boas conversas e grandes brindes! Pode sempre ir acompanhando a seleção de vinhos através do nosso novo website: www.revistapaixaopelovinho.com.



> texto PPV > fotografia Ernesto Fonseca e Sérgio Sacoto
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